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segunda-feira, 17 de novembro de 2014

A MINHA MÁQUINA DO MUNDO


Relanceio o relógio, distraída. 17:17. Opa!
Então encaro, estupidificada. Pela primeira vez, não sei o que pedir.
Trata-se do seguinte, explico: se você olhar para o relógio e ter a sorte de encontrar os mesmos números na casa das horas e dos minutos, é o universo que está sendo bondoso e te dando a chance de pedir qualquer coisa que você queira na vida, bem ali, naquele momento. Não há dúvidas quanto à realização do pedido. O método é infalível. Mas existem variações de sua aplicabilidade.
Por exemplo: para alguns, as horas siamesas são unicamente o indício de que alguém pensa em você. Quase aquela coisa das orelhas que esquentam, porém um tanto mais romântica. E há ainda os que vão além, acreditando que olhar a hora repetida é prenúncio de que o amor que você sente por alguém se faz correspondido, e que vocês dois acabarão se casando dali a uns anos, em plena primavera, tendo três filhos, um poodle fedorentinho e um apê atulhado de livros numa metrópole qualquer – corrente de pensamento adotada sobretudo nas raias da quinta série.
Mas eu, euzinha, eu particularmente sempre, sempre preferi acreditar que ter a sorte de olhar as horas no momento exato em que são marcados os mesmos números é a gloriosa e indiscutível chance de pedir o que for, seja de qualquer universo ou tamanho, material ou invisível. Bastava ser dizível. Assim me parecia muito mais generoso, e não custava mesmo nada...
Então, ao longo dos anos, meus fervorosos pedidos variaram entre as coisas mais loucas e as coisas mais simples, porém sempre desejadas – e imediatamente cridas – com um fogo galopante e olhinhos estreitados.
Minhas ambições iam desde "que eu vá bem na prova de amanhã! " até "que eu vá pro céu quando eu morrer!", ou mesmo "que a conversa séria que a mamãe disse que ia ter comigo hoje não seja nada!" e "que eu ganhe um violão este ano!", ou ainda "que eu seja uma escritora um dia!".
Então, de repente, cá estou, 20 anos. 17:17. Não posso escapar. É a minha bênção, a minha missão, é o meu momento, é o meu pedido. E olho para a hora, e não me ocorre nada, nadinha de nada. Nada dizível. Aquele inarticulado, impassível hiato na mente é estranho e um tanto assustador. Deu tela azul. Pam!
Não consigo pensar em qualquer coisa que eu deseje mais, bem acima de todas as outras coisas que eu desejo ao mesmo tempo. Daí meu coração e a minha mente vão se dando conta, naquele átimo, de que algo acontece, algo aconteceu. Há em mim um caos de vontades simultâneas. Não mais aquela lealdade da infância a uma ideia fixa.
A mudez mental diante do relógio não existe por não existirem mais os desejos. Ela existe porque, de algum modo, a essa altura, tornou-se difícil demais organizar e estabelecer a hierarquia das vontades... Todas elas se colidem e se massacram, e nenhuma enfim alcança nobreza ou convicção suficientes para se fazer vencedora.
Me encerro no silêncio. Primeiro, há só uma pequenina melancolia, já companheira minha. Depois, uma impassibilidade docemente melancólica. E vejo, com resignado desamparo, minha hora mudar para 17:18. Lennntamennnte... Leva consigo, ofendida e melindrada, a primeira e única janela temporal de sorte que não abri e de que não desfrutei. Suspiro, olhos perdidos. Ombros quedados. Volto aos trabalhos.

domingo, 5 de outubro de 2014

HUNRRF... ARRN...

Existem as coisas difíceis que eu amo, e me lanço a elas. Existem as coisas difíceis que são insuportáveis, impossíveis de aprender. Existem as coisas difíceis que começam difíceis e depois se mostram tão mais fáceis - você evoluiu, cresceu, melhorou-se. Existem as coisas difíceis hostis - não domáveis, nem mesmo silenciosamente enigmáticas, mas ferozes. Existem as coisas que eu não entendo, e aceito. Existem as coisas que eu não entendo, mas aceito. Existem as coisas que eu não entendo e nem aceitarei. Existem as coisas que eu não entendo. E eu e ela existem. E mesmo assim uma anula a outra. Existem em mim vontades, mas coisas que jamais farei. E ainda assim já mais farei das coisas que eu pensava impossíveis. Existem eu e meus medos e meus desejos e minhas falhas e impraticabilidades e procrastinações e grunhidos. Existo eu. Tantas coisas...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

MEDO DE MORRER

É quando você percebe que comeu arroz estragado depois que sua tia chega em casa, cheira a panela, e descobre o fato.
Daí você espera a morte, lendo nos olhares dos outros a reprimenda por sua estupidez...
E então você não morre pelo arroz azedo com brócolis.
E a sensação de morte passa.
Mas aí, um dia, seja por arroz ou não, você morre.
Eis aí a real sensação de morte: saber que se vai morrer depois de sobreviver ao arroz.
Saber que se vai morrer mesmo depois de a sensação passar.

domingo, 25 de novembro de 2012

NA FILA

Delícias infinitas nos são proporcionadas quando estamos ali ranzinzas, azedos à espera do atendimento, como que para compensar a demora paradoxal dos fast food.
Dois Sócrates na fila:
- ... É louco, cara! Você faz uma descoberta. E aí vai percebendo ao longo do seu cotidiano, nos dias seguintes, imediatamente após o descoberto, milhares de referências àquilo que antes você não conhecia. Filmes, músicas, hiperlinks, notas de rodapé nos livros... Uma loucura...
- Sei como é. Então a gente para pra pensar e se pergunta quantas coisas mais tem deixado escapar... Vivemos essa vida de ignorância plácida, ridícula...
- Mas aí, superado o desespero inicial, vem essa mesma ignorância, com aquela vozinha doce, confortadora, e sussurra no seu ouvido... "Calma... Você viveu até aqui sem saber de nada... Não é agora que vai morrer, não é mesmo?"
- Ha, ha, ha! Essa ignorância é mesmo uma quenga!
- É...
- Interessante mesmo é aproveitar o caminho natural das descobertas, não é? Não tem jeito. Deixa rolar. Não vou sair à caça. Se algo escapar à percepção, nem saberemos. Afinal, não sabemos mesmo!
- Verdade... E por mais que eu venha a saber de algo mais, permaneço sem saber de todo o resto. O fato de eu começar a conhecer só me mostra como sou ignorante!
- Saber que nada se sabe é uma bênção. Não corro o risco de achar que já sei de tudo. Essas descobertas fortuitas me mantêm ligadão. E aí, vai pegar o Big Mac de sempre?
- Hoje eu vou de Big Tasty.

sábado, 17 de novembro de 2012

POMBOS GEMEDORES

Não sei se no pesadelo urbano existe som mais melancólico ou sinistro
do que o arrulhar noturno de um pombo à janela.

Penso que os pombos são corujas frustradas.

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

DESCREVER O QUE NÃO SE SENTE

A escrita nos abre milhões de janelas que só mesmo a imaginação pode construir. Uma dessas janelas abertas chama-se "experiência". Porque experiência não diz respeito necessariamente àquilo que se experimentou em vivência - ou seja, o que foi táctil, o que foi palpável, filtrado pelos sentidos mais físicos -, mas sim diz respeito a tudo aquilo que se pode degustar em espírito, com a mente. A palavra então traz esse mundo de areia construído sobre rochas de vento para a plataforma de papel - ou eletrônica, ou calçada, ou troncosa, o que seja!
Experimentar não é viver no corpo somente, mas também vivenciar dentro de um processo de pensamento completo, e tornar ainda mais sólido através da palavra. Descrever o que não se sente, descrever o frêmito, o arrepio, o toque. Dedos invisíveis que deslizam pela derme como um trem sem destino e sem pressa. Olhos que rolam preguiçosamente e com carinho sobre a pele que cheira a Nivea. Sorrisos que se insinuam porque o toque é bom. Dedos que, após o caminho, se entrelaçam. E os pelos dos braços ouriçados, e os pelos das pernas tolhidos pelo jeans. A mão agora atada em outra que sobe novamente pelo ombro macio e alcança a face que se cora, coraliza. E pula outra vez a bochecha num sorriso desses meigos de fazer o coração gelar e ferver ao mesmo tempo. E o sorriso de resposta, dono do toque-ouriço, tem a barba por fazer e espeta, mas é delícia. Roça no pescoço, dizer cangote é mais gostoso, aconchega-se naquele canto que a gente chama "curva dos enamorados", a pele macia, o vão entre nuca e clavícula, e cheira bom.
Chega mais perto, olhos nos olhos, eles se têm capturados. Quem dirá daqui a um ano, dois, dez...? Mas, que importa isso agora? Olha só como se olham, olhos nos olhos, e o acanhamento de finalmente se flagrar assim tão apaixonado, mas tão, que o termo perde o sentido, fica vagando desconexo entre duas almas e dois corpos que se querem bem mais do que precisam de espaço, tempo, ar. E, achegados, assim, de mansinho, vagarzinho, esse olhos nos olhos e dedos nos dedos, forte, porque o compromisso agora se mostrou em toda a sua proporção monumental, são as barrigas que se chocam, as respirações no compasso do descompasso, vem de novo, toma os lábios, e estes se abrem, e se achegam também.
E posso não estar vendo ou provando a cena, mas sei que acontece, porque se materializa em minha mente, escorre por essas paredes tão vazias, tão cheias de tudo, e então vêm pelo córrego direito, fazem a curva ao pé do leito miocárdio o outro extremo esquerdo, então desaguam pela mão destra, fazem seu caminho rumo a um texto tão bem, tão sem razão, que sua única certeza é ser brutalmente real, brutalmente sentido, mesmo não sendo.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

MAIORIDADE

Eis que chegou o meu aniversário, e praticamente já se foi por completo. Dia 14 de junho, 18 anos.
A maioridade pouco significa para mim, na verdade. Muito provavelmente só terei legitimado a maioria de meus direitos quando estiver para lá dos 30. No entanto, dezoito anos de vida serviram-me para ensinar certas coisas consideráveis. Segue a lista de exemplos:

"Nunca tenha apenas um único fone de ouvido. Você certamente viverá perdendo-o com mais frequência do que imagina"

"Nunca minta para a sua mãe. Ela sempre saberá a verdade"

"Nunca deixe seus pertences eletrônicos no chão. Eles podem ser pisados. E o desleixo nunca mais teve o mesmo charme depois que invetaram as telas de cristal líquido"

"Nunca acredite no que dizem durante o ensino médio. A liberdade universitária é uma ilusão"

"Nunca crie um blog. Se criar, não ponha expectativas sobre ele. Será apenas um lugar no qual você desvendará grandes mistérios da natureza humana sem que ninguém jamais leia"

... Brincadeirinha. Bom, até que é verdade, mas o ponto não é esse, com os exemplos expostos aí em cima. O ponto é que, por mais que eu tenha dito ao longo de todo este dia coisas do tipo "sim, é 18, mas me sinto como se fossem 15", e tenha escutado muitas coisas parecidas a "18 já?! Mas nem parece!...", sinto que mudei um tantinho. Não sei explicar... É essa coisa de ter consciência, ainda que não muito clara, de que você acabou de vencer uma etapa, conquistou outra, novos degraus se elevam a partir deste ponto. De certa forma, pressente-se o marco. É um marco. Sei que já não serei a mesma que fui até aqui, mas permaneço sendo eu mesma. Espero que bem melhor.
Agradeço ao SENHOR por tudo. Como o garçom na churrascaria disse: "Mais um ano de vida nos caminhos do SENHOR é sempre só bênção!". AMÉM.


sábado, 9 de junho de 2012

NÃO SE DESAMA DANDO UM MERO TCHAU

Porque deixar de amar não é normal...

A sabedoria musical é incrível. Ensinando um mundo com apenas um verso.
Muitas vezes, independentemente de qual canção se trate, você de repente se depara com uma verdadeira pérola da essência e experiência humana...
Penso, na verdade não só eu, afinal, é um fato conhecido por pessoas sábias e conscientes, que o amor não é essa coisa despretensiosa e à-toa que muita gente sente, julgando ser válido, como se se pudesse amar movido por forças estranhas e oscilantes, morríveis a qualquer momento. O amor não é isso, é claro que não. Não assim - descartável. Coisa aleatória e descartável. O amor não. E, de fato, deixar de amar não é normal. Porque se você escolhe amar alguém, a tendência é que seja uma atitude definitiva, não? É um paradoxo pensar num amor que acaba, que se extingue. Estamos falando de amor como tem que ser. Dificilmente alcançado, mas possível. Porque pessoas capazes de entendê-lo existem sim.
Enfim, a infinitude do amor já está contida nele mesmo. É idiotizante supor que o "produto" vem com prazo de validade. Mais triste ainda é comprá-lo vencido. A mercadoria então era falsa.
O ponto é: admirável essa sapiência musical que paira ao redor de nós e na qual poucas vezes reparamos. Como uma espécie de cérebro que maquina a lógica das palavras por trás das rimas, e que existe independente de quem as executa ou como as executa. Parece uma instituição autônoma, que planta suas profundas considerações nas músicas que bem lhe aprouver, falando a nossas almas e mentes de maneira tão deliciosamente misteriosa e bem traduzida!...

terça-feira, 1 de maio de 2012

MEMÓRIA HUMANA

Quando a gente vai vivendo
Não sabe que vai vivendo
as nossas futuras lembranças.

E a gente vai vivendo
Na inocência de achar
Que cada momento dura
Eternamente
E não sabe que, de fato, o momento dura
Mas dura só na mente
Porque se torna lembrança rapidamente.

E a gente vai vivendo, sim
Achando que vai viver para sempre
E mal sabe que, no fim,
Tudo não passa de fragmentos...
Um poema...
Um cheiro...
Todos bem mortos no tempo
Só bem vivos na mente,
dentro da gente.

E a gente vai vivendo
Até que chega o momento
Que lembrança a gente também se torna
E forma lembranças na mente de nossa gente
E a gente e as nossas lembranças
Já não existem mais
Porque viramos a própria lembrança
Poeira
Areia
Silêncio.

quarta-feira, 14 de março de 2012

EMPANTIPATIA

Só quem já provou um verdadeiro desamor à primeira vista, pode ter noção do que vem a ser a empantipatia.
"Empantipatia" é, como bem suposto, a junção de antipatia com empatia. Configura-se "empantipatia" quando antipatia e empatia coexistem de maneira inconsciente e perfeitamente instável.
Essa mescla de emoções, que na realidade consiste num só sentimento, aparece normalmente quando um indivíduo se sente pessoal e profundamente perturbado com a existência de um outro determinado indivíduo. Aí está o desamor à primeira vista, também conhecido por "nojinho", e este desamor é sempre prenúncio à tal empantipatia.
Não passa de um amor não professado. Sabe-se lá por quais medos, projeções, anseios...
Mas voltemos.
O quadro de sutil desamor logo evolui e transforma-se em antipatia bruta, nojo mortal, asco sem limites e indefinível. Você não sabe muito bem por que despreza tanto a esse seu semelhante, mas sabe unicamente que a mera pronúncia do nome da pessoa já é capaz de despertar em você as maiores crises de ira e golfadas.
Mas o que você não sabe é que toda essa antipatia, no fundo da sua mente, adormecida no mais remoto recôndito do seu coração, na verdade é a pura e simples empatia.
De fato, essa sua antipatia quase irracional pode ser perfeitamente explicada: você não se dá com determinada pessoa porque enxerga nela você mesmo. E não consegue evitar desprezá-la, para não desprezar-se, porque ela reflete você de uma maneira irrevogável. Tanto os pontos positivos, quando os negativos. Ainda que sua antipatia insista em reconhecer somente estes últimos.
Desta forma, a empantipatia ocorre quando a discórdia que você nutre para com alguém encontra explicação no fato de que você se parece com o alvo do seu desprezo muito mais do que gostaria.
Afinal, é sempre aquela história... A linha tênue do amor e ódio... Neste caso, também quem prevalece é o amor. Ou melhor, a empatia.
E tudo se dá de maneira metódica e bem familiar (você provavelmente conhece o passo-a-passo, mas de outros contextos): Você nega, mesmo depois de muito tempo desprezando aquele em quem você se projeta; em seguida, vem a raiva; após isso, a tristeza; e, por fim, a aversão se transforma em confortável aceitação.
E tudo então deságua numa curiosa amizade... Já que, apesar de enxergar no outro o seu pior, não dá para resistir a ter como melhor amigo alguém com as mesmas melhores partes de você.



sexta-feira, 15 de julho de 2011

MORRA, FANTA LARANJA!


A Fanta Laranja é o pior veneno já produzido por uma fábrica de detergentes. Como todos sabem (ou desconfiam), este elixir funéreo de cor laranja berrante foi criado pela própria Coca-Cola durante a Segunda Guerra Mundial, a fim de vender na Alemanha nazista e não ter seu lucro europeu ameaçado por causa de um incidentezinho internacional e algumas pequenas desavenças capitalistas.
Assim, sua origem e ascendência duvidosas só comprovam minha tese: Fanta Laranja é veneno.
Fanta Laranja é veneno e todos os seus adeptos fervorosos deveriam ser fervidos numa panela cheia deste "refrigerante".
O líquido que tem a cor malévola das abóboras de Halloween é tão detestável, que o mero pronunciar de seu nome já causa aftas na boca.
A Fanta Laranja é áspera, ruim e má, e sua acidez transforma a região bucal em ninho de formiga sempre que alguém ingere esta porcaria gaseificada. Sem falar naqueles pelinhos e farelos que ficam flutuando no interior da garrafa... Vamos levar a Fanta Laranja a um campo de concentração e queimá-la!
Beba Fanta Uva. Esta sim.

MELOSIDADE NA BLOGOSFERA

É impressionante a quantidade de bloguinhos bem-intencionados, mas que pingam mel choco, existente por aí. Estava eu passeando pelos sítios cibernéticos e, em menos de dez minutos, lambuzei meus dedos e olhos em dois blogs que, de tão dramáticos, excessivamente melosos, e românticos de uma maneira criminosa, chegaram a me enjoar e me fizeram odiar a raça humana. E a mim, por fazer parte dela. Somos esses seres frágeis, cheios de rebuscamento e firulas que escondem imperfeições medonhas, e ainda assim insistimos em cantar nossos sentimentalismos frustrados aos sete ventos da internet.
Eu neste ânimo, odiando a raça humana e sua pieguice, e todos os blogueiros melosos que deveriam ser queimados na fogueira, quando de repente me dou conta de que meu próprio blog é um poço de candura bem-intencionada e sentimentalismo estafante.
Oh, amigos, o que estamos fazendo aqui? Essa vida de blogosfera é difícil, e ainda insistimos em ganhar o pão e a clientela falando de coisas que, na verdade, ninguém lê nem nunca lerá.
A poesia morreu, a sensibilidade, o cuidado e atenção para com o próximo. Oh, mortais! Eu me demito.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

MEUS MOMENTOS DE NOSTALGIA

Como todo bom mortal, dotado de sensibilidade e certa melancolia charmosa, sei que os momentos mais graves de nostalgia surgem quando a gente não espera, ou espera pouco, mas ainda assim nossa alma se encontra em terreno propício para turbilhões de emoções... É muito frequente em mim ter momentos de nostalgia com músicas, cheiros, filmes, comidas, fotografias, livros (oh, Deus, livros com certeza!)... Basta que qualquer integrante desta lista me atinja para que, quase automaticamente, eu seja transportada a algum recanto confortável do passado, ou nem tão confortável, mas ainda assim gostoso de rememorar, porque todos nós temos nossos lapsos masoquistas.
Mas o fato é que nenhuma música me sugere tanto quanto... "I'm N Luv (Wit a Stripper)", do T-Pain, ou "Lonely", versão Akon. Dá para acreditar num negócio deste? Basicamente, todo o CD (de hip hop!) LUV! 2 me faz lembrar uma certa etapa da vida que me deixou uma saudadezinha... E eu nem gosto de hip hop!
O que quero dizer é que não escolhemos o que vai marcar um momento. Você pode até amassar uma flor entre as páginas de um livro de capa dura, mas outras coisas são muito mais complicadas e menos deliberadas... Ainda que esta nossa frágil humanidade, frágil, frágil, frágil, consista quase que totalmente no poder de decisão, ainda assim certos "plugs" de nostalgia nos são alheios... Um dia, eles simplesmente vêm, algo acontece, e você lembra. E sente uma saudadezinha...
Às vezes sente saudade até do que não deveria. De momentos estranhos ou de fases da vida que foram uma bosta, mas lembra, fazer o quê? E aí você lamenta porque tanto já passou...
E mesmo assim ainda há tanto, mas tanto!...
Acho que, no fim, relembrar e se arrepiar de nostalgia é como a antecipação daquela certeza de que em breve mais lembranças serão construídas e mais momentos de nostalgia e, assim, de lembranças, vamos vivendo. Mas que coisa estranha. Não sei. Viver de lembranças... Não seria mais fácil simplesmente viver?
Fácil mesmo é fechar os olhos e lembrar...

domingo, 27 de março de 2011

AS VANTAGENS DAS DESVANTAGENS DA VIDA

1.Dor de cabeça
Vantagem: É sinal de que você tem cabeça!

2.Vomitar no carro do ficante/namorado/amigo
Vantagem: Ele nunca mais vai te arrastar até a lanchonete "podrão" da esquina.
3.Levar um baita fora
Vantagem: Sempre vai ter alguém especial disposto a juntar os caquinhos.

4.Engolir sapo no restaurante sem reclamar
Vantagem: Você não corre o risco de algum garçom cuspir no seu refrigerante.

5.Novelas do SBT
Vantagem: Farão você morrer de rir em qualquer momento.

6.Engravidar a moça errada
Vantagem: Qual é! Você vai ter um filho!

7.Brigar com a mãe
Vantagem: Ela sempre vai te perdoar. E o colo volta ainda mais gostoso.

8.Tecnobrega
Vantagem: Qualquer um pode enriquecer "cantando" isso. Inclusive você.

9.Politicagem
Vantagem: Pode-se criticar à vontade!

10.Ego inflado
Vantagem: Vem normalmente acompanhado de pessoas que, no fundo, não passam de meros mortais inseguros ou oprimidos. Portanto, não há motivo para temer.

11.Depressão pós-livro
Vantagem: Se foi tão apaixonante, você pode lê-lo outra vez, e outra, e mais outra, até decorar cada fragmento da obra, até entranhar as palavras na pele...

12.Fim de filme bom
Vantagem: Se você viu no cinema, pode chegar em casa e pesquisar tudo na internet, até enjoar! Se viu em DVD, pode sempre rebobinar e rever as melhores partes.

13.Apagão
Vantagem: Num átimo você começa a enxergar o mundo com outros olhos. Percebe a dependência, a alienação, o consumismo, a degradação... Só resta levar essas profundas e filosóficas reflexões adiante e não esquecer depois que a luz voltar!

14.Perder a Copa do Mundo
Vantagem: Lembrar que nada nem ninguém é invencível ou perfeito, mesmo com um time inteiro de craques.

15.Virar zumbi no último ano do colégio
Vantagem: Já dizia meu professor... "Vestibulando sem olheira, não é vestibulando! Vestibulando sem gastrite, não é vestibulando!" Logo, você provavelmente vai passar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DROGA

Seguindo a mesma linha de raciocínio do meu amigo Pedro Bandeira... Essa droga de vida, essa droga de escola, essa droga de trabalho, essa droga de comida, essa droga de computador, essa droga de férias... Epa! Peraí. Droga de férias?! Quem pode ter dito uma coisa dessas?
A mania de reclamar às vezes nos pega de jeito. E estamos também tão apegados a ela, que esquecemos de desfrutar o momento presente, esse tal agora; o qual, se você olhar bem fundo, ou nem tanto, vai descobrir que é simplesmente maravilhoso... Então, para começar, por que amaldiçoar as férias? Esse excesso de negatividade e ranhetice fica para uma outra hora. Por enquanto, desfruta. Toma o que é teu por direito, esse mês ensolarado e chuvoso, e se vinga de uma vez do capitalismo. Vilão tão complexo que nos obriga a estudar durante a maior parte das nossas vidas. Esse. Esse. Esse. Que se repitam as palavras, deixa assim!
Ora, não reclame, quem sabe viva um pouco. Viva um pouco mais. Não quero mais alimentar essa mania de parafrasear e emprestar dos grandes autores, também não intento mais um "Filtro Solar" por aqui. Mas sobre chicletes e equações de álgebra, bem, curta o seu chiclete, e vá mascando até quando der. Acabou o açúcar, acabou o tempo da prova, cuspa, saia. Mas, gente, vamos aproveitar. Reclamem só quando estritamente necessário.
E deixem o lado rabugento comigo.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

+ 21 maneiras simples de driblar a timidez


Classificação: Para os desesperados

Quando criança, eu era extremamente tímida. Quem convive comigo hoje - e nunca lidou com meu eu do passado - certamente não me reconheceria lá pelas orlas da infância. Por tal motivo, resolvi escrever este artigo aqui de utilidade pública. Para que todos os tímidos possam um dia - ou daqui a dois minutos, quando terminarem de ler a postagem - se tornar grandes ex-tímidos, graças a essa tonelada de palavras de estímulo - que nada mais são do que besteira -, mas que ainda assim podem fazer proezas pela sua vida (que até agora foi tão auto-depreciativa e flagelada, à margem das delícias de ser um ser social). Pois bem, aos que duvidam, eu garanto: todas essas sutilezas aqui descritas foram testadas por amigos, conhecidos, parentes, e até por mim mesma - tornando-me este ser de um metro e meio que hoje não teme ninguém. E se não funcionar com você, bem... É o caso de procurar um especialista.

1. O primeiro percalço a ser driblado nessa sua trajetória é, sem dúvida, ir a um supermercado 24h vestindo pijama ou de pantufas (de preferência à noite, óbvio).

2. Diga "oi" para a moça do bombom.

3. Agradeça quando algum porteiro abrir a porta para você.

4. Sorria ou converse no elevador (até mesmo sozinho, se for o caso), soltando comentários rasos e frases educadas.

5. Nunca se esconda na hora do "Parabéns", nem fuja no momento dos discursos. Isso faz parte de um processo de conhecimento importantíssimo. E se mandarem você dizer alguma coisa, retruque, sorrindo: "Até parece!"

6. Se você for um menino em período escolar, experimente ultrapassar o muro de Berlim invisível no meio da sala (bom, isso existia no meu tempo), e sente-se ao lado das meninas. Se for uma menina, sente mais perto dos meninos, mas sem parecer muito atirada, ou descole umas amiguinhas extrovertidas e se infiltre.

7. Não fuja da roda, nas festinhas à la boite.

8. Ouça música boa. Deixe de lado essa metálica que te acossa!

9. Compre um chapéu de frevo. Use-o. Eu te desafio.

10. Pegue leve quando te derem uma zoada. Desencane. Rir de si mesmo faz tudo parecer tão mais fácil!

11. Crie um blog para falar de besteiras, tudo o que vier em sua cabeça. Extravase. Qualé, pessoal, os blogs não estão assim tão defasados... Tem tanta gente ganhando dinheiro com isso. Tente até um videoblog, se embarcar nessa de uma vez.

12. Coma com a mão. Em restaurantes meio chiques, pizzarias, na casa da sua avó... Não importa. Assim, quem vai sentir vergonha por você são os outros. Bacana, né?

13. Cante alto no karaokê do shopping. Cante na rua, no carro, no ônibus. E se alguém rir do seu desafino, solte uma piscadela das boas.

14. Vire o boné. Desabotoe a camisa. Sacuda o cabelo. Uns tapinhas na cara.

15. Solte uns peidinhos na frente da sua mãe.

16. Aprenda a barganhar.

17. Coma sua meleca. E não se afobe com quem criticar. Nada de ficar vermelho. É sua mesmo. E o que vai, volta.

18. Converse mais com seus parentes, torne-os chegados. Eles sempre dão um jeito de expor os seus defeitos de uma maneira leve e engraçada, de modo que isso também vai perder o peso depreciativo para você, tornando-se apenas o que são de verdade: meros defeitos. E não desculpas para um suicídio.

19. Leia gibis publicamente. Por quê? Sempre vai ter pelo menos um cara no seu círculo de conhecidos que lê também, mas nunca teve a audácia necessária para admitir. O resultado? De tímido, você vira o interessante corajoso.

20. Não tenha medo de errar palavras, dizer besteiras. Todo mundo erra mesmo, isso até eu já aprendi. Se for o caso, se enturme com um nerd por aí e faça ele te ensinar umas frasesinhas impactantes. E mais: conte umas piadas, que tal? Nunca esperaram isso de você, não é? Por isso mesmo. Vindo do ser mais impróval, se torna ainda mais engraçado.

21. Por fim, a regra de ouro. É simples, é íntima: nas apresentações de slide, trabalhos, eventos e afins, improvise, não se prenda ao manuscrito, diga aquilo que absorveu. Olhe reto. Olhe na cara de quem te assusta. Olhe bem nos olhos do professor. Olhe bem no rosto do seu sonho de consumo. Seja na faculdade, na escola, no seminário. Demonstre confiança. Olhe nos olhos de todos eles. E pense: "Venci."

DESABAFO REVOLUCIONÁRIO


A preguiça nada mais é do que um bicho engraçadinho e lento-rastejante, que sobe em árvores e tem uns olhinhos marejados. É um mamífero que, assim como os ursos – que hibernam durante todo o inverno –, nos ensina uma verdadeira mensagem de vida: por que perder tempo com meias palavras, se você pode simplesmente dormir e poupar energia para momentos críticos, quando o clima o impede de caçar? Ou ainda, seguindo o exemplo deste animal tão sábio que é a nossa querida Bradypus, por que não se arrastar esplendorosamente pelo chão de húmus da floresta, curtindo o clima tropical e o carregado arzinho amazônico?
De verdade, quero entender por que o senso comum condena todas essas coisas. Mas se a preguiça é algo tão lindo, minha gente! Veja ainda os políticos, por exemplo. Eles fazem da inércia o seu padrão de vida... E os gregos? Do ócio, a flor primária do saber, a filosofia!
Eu simplesmente não entendo. Mas deixo esta questão no ar. Àqueles que puderem me responder, mandem um e-mail, mandem cartas. Quero entender porque a preguiça é tão mal vista, tão julgada, tão arrasada por todos. Ora, quem nunca se espreguiçou, que atire a primeira pedra! Todo mundo tem ao menos uma “ex-preguiça” para contar. Admita. Esse corpo-mole não mente.
E só para situar, essa eu compartilho com vocês: o que eu ouvi de gente reclamando durante as eleições... Não foi brincadeira não. Gente que faria de tudo para escapar do segundo turno. "Sair de casa para votar de novo? Mas que chato!". E sabem o que mais? Está certo. Essa democracia não serve para nada mesmo... A solução é nos arrumarmos, daqui para frente, com o que tiver. Vamos proclamar a preguiça nossa única representante federal, municipal, estadual, orbital... E assim a gente escapa de mais um pleito de fastio.
É claro, a ideia ainda precisa ser amadurecida. Vamos construir uma teoria de peso, e, assim, aguardo sugestões.
Mas não contem à vovó esta minha confissão. Ela ainda espera que eu vá arrumar a bagunça instalada há meses debaixo da minha cama... Mas quem sabe eu ainda tomo coragem e respondo na cara dela: "Ah, vó, no dia que arrumarem o Brasil, a gente conversa!".