Murilo,
O que tenho pra te dizer é isso:
Acho que uma das maiores alegrias do Chico foi ter inaugurado a data para que um dia, nesse dia, alguém como tu nascesse. Dia já abençoado por si só, e então, vocês dois.
De pensar que te conheci pequenininho... E nem conheci bem (pelo menos não à época), mas houve um reconhecimento de almas, não achas?... E desde lá, quanto tempo? Sete anos, meu amigo. Para nós que só acumulamos 19 até agora, é ano pra mais de metro!
No começo, aquela amizade tímida. Lembras? Eu encerrada na bolha das popularidades superficiais dos 12 anos, sem atentar muito bem para o coleguinha tão legal, caladão, um tanto bisonho - autodefinição tua mesmo -, logo ali ao lado. E tu, isolado, encerrado também, mas na ostra da timidez e de certo blaseísmo que todo garoto tem até bem depois dos 12. O que nos uniu, ainda que sem grandes pretensões, talvez tenha sido, a princípio, aquele gosto pelos Hermanos. Ou a falta de sono, os hábitos cibernéticos notívagos...
Assim vieram as madrugadas de MSN - quem não sente nostalgia? -, amizades que se tornavam de infância, enquanto os históricos de conversa iam se tornando intermináveis... Te perdoo por todas as vezes em que, nesses diálogos sem quê nem pra quê, vieste fazer inveja pra mim porque tinhas o CD da Amélie e eu não. Mas o tempo corre, vira cambalhota, meu caro, e hoje eu tenho o meu também, só pra deixar claro.
Foi assim. Sete anos em que a gente mais se digitou e se idealizou do que se viu, mas permanece esta quase uma década de alguma coisa boa, confortável, doce, divertida. Amizade. Introcável. Te gosto pelo que tu és, e mais: pelo que também não dizes. Por essa aura que te cerca, percebível a distância, e que faz a gente querer ser poeta também, seja lá com que caneta for, e de que maneira for, seguindo o teu exemplo...
E o que começou com Los Hermanos, rendeu. Olha só onde estamos. E aí estás tu, até hoje, e desde de antes, todo e sempre musical. Muito mais que dividindo uma data com o Chico, fazendo a data bonita junto com ele. O que eu penso de ti é tão simples e tão profundo quanto um dos teus rabiscos de versos, ou um refrão buarqueholandesco: que há todo esse lirismo escorrendo dos teus dedos, essa poesia meio engajada, esse rap erudito, os poemas curtos, bonitos, densos no pouco espaço. E soma-se a ti aquele talento sedutor de quem não se acha à altura de si mesmo. A melancolia que, apesar de tão triste, é também tão charmosa...
Obrigada por ser um amigo tão legal. Por dividir sonhos tresloucados, compartilhar projetos, por me deixar ser o Pinky, enquanto tu és o Cérebro, e os planos loucos de dominar o mundo (dos blogs, dos livros, das canções, das artes).
Gosto mais de ti do que gosto das letras do Chico em vozes femininas (e olha que gosto bastante!). Gosto de ti na mesma medida em que resisto ao Gilberto Gil (e é bastante também!). Gosto de ti porque me fazes gostar de coisas ingostáveis. E porque és gostável também, por natureza.
Espero que não percas tudo o que há de maravilhoso em ti, nunca. Enfim, tu inteiro. Me arrisco a dizer, inclusive, protegida pela intimidade e proximidade de almas que garantiu para nós a distância física, que até mesmo o que há de mais triste e amargo na tua história, só serviu pra te tornar ainda mais isso. Isso que és. Meio indefinível, mas tão-bom.
Não fique se achando muito (porque o que tens de desligado, tens também de malandro)! A beleza está grandemente nesse teu não-saber. Te adoro, meu querido amigo! Malandragem boa, é isso que é. Ah! Anote na capa do teu Leminski de bolso (ou Drummond, ou Neruda, ou Bandeira, ou Quintana): não vá morrer aí no caos urbano. Ainda temos muita solidão pra percorrermos juntos...
Feliz aniversário.
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quarta-feira, 19 de junho de 2013
terça-feira, 16 de abril de 2013
quinta-feira, 21 de março de 2013
TENHO DUAS COISAS A DIZER
1ª - Preciso urgentemente de amigos que me levem para passear.
2ª - Estou apaixonada pelo presidente do México.
2ª - Estou apaixonada pelo presidente do México.
domingo, 10 de março de 2013
O GRANDE GATSBY + UP CLOSE AND PERSONAL
Terminei de ler "O grande Gatsby" (que, por sinal, gostei muito, apesar de a leitura ter começado um tanto arrastada), e fiquei com aquele gostinho na boca e na mente... Imediatamente após, fui fuçar sobre as versões cinematográficas. Nessas andanças pela internet, descobri que vão levá-lo de novo às telas agora em 2013, parece que em abril, com nosso imortal Tobey Homem-Aranha no papel de Nick, o narrador do livro, e ninguém menos que DiCaprio como o grande Gatsby. Parece-me que a Daisy será interpretada pela atriz que fez a irmã de Michael Fassbender em "Shame". O trailer é promissor.
Tudo isso só aguçou ainda mais meu interesse pela obra, então fui assistir à versão de "O grande Gatsby" de 1974, em que Robert Redford interpreta o personagem principal, e Mia Farrow, a mocinha. Não gostei muito da performance dela. Apesar de o livro ter seus personagens construídos com aquele teor performático, como caricaturas da própria época, em que os diálogos muitas vezes parecem surreais, impenetráveis, ou absurdamente frívolos - características literárias admiráveis, pois décadas depois ainda conseguimos saborear nesses diálogos o gosto apurado da ironia e mordacidade com que Fitzgerald tratou sua época, e o próprio estilo de vida que, mesmo criticando tão refinadamente, ele e a esposa perseguiram em toda a vida -, não gostei absolutamente da interpretação de Mia Farrow.
Poderia desenrolar um milhão de argumentos para atestar o que estou dizendo, mas acho que o que mais me aporrinhou foi o fato de ela não transmitir em nada uma das características mais marcantes de Daisy Buchanan: a voz. Aquela voz que, nas palavras dos próprios personagens, estava cheia de dinheiro. E, em outras passagens, uma voz sedutora, encantatória, para não dizer etérea. Enfim, uma voz com algo especial, uma entonação mais rouca, pausada, ou suave... Talvez como a voz da atriz que interpretou Jordan, enquanto que o timbre de Mia Farrow só me fazia pensar: "Cale a bendita boca!". Ela soava estridente e artificial sempre (como é possível?!), e talvez fosse a intenção, mas desvirtuar o maior traço da personagem do livro assim não me agradou em nada. Eu queria uma voz que me fizesse entender um pouco dessa "magia" que pairava ao redor de Daisy, e não simplesmente a voz de alguém que mal pode ser ouvida por seres humanos. Nada contra a Mia, que, ironia das ironias, tem uma voz doce e suave em todos os outros filmes. Ah, sei lá... Não sou graduada em vozes.
Contudo, em compensação, eu não poderia pensar em um melhor ator para encarnar Nick Carraway. E preciso dizer que me apaixonei por Nick? Tanto em sua exacerbada condescendência, o que muitas vezes o conduziu à omissão e, eventualmente, ao erro (mas ele estava justificado devidamente desde o início, ao afirmar que era muito cauteloso ao julgar as pessoas, preferindo dar seu voto de confiança a qualquer um, indistintamente, até as últimas consequências, esperando pelo momento quando enfim sua longa paciência se esgotaria e sua estima fosse perdida para sempre), quanto em sua extremada lealdade. Gostei de tudo a respeito dele, até do que não deveria inspirar paixão. Tanto o personagem literário, em sua essência invisível, mas bem palpável na página do livro, quanto do personagem na tela, andando, falando, pensando, bebendo. Impressionou-me ainda a precisão com que imaginei um Nick Carraway muito semelhante ao ator da versão de 1974, com a diferença dos cabelos, que em minha mente eram um pouco mais claros. Enfim, tolices de leitor.
Voltando ao próprio Gatsby. Após ver o filme, me senti inspirada e inclinada a caçar um pouco mais de Redford. Tudo o que eu já tinha visto dele se reduzia muito provavelmente a três títulos: "Nosso amor de ontem", "Proposta indecente" e "Butch Cassidy & The Sundance Kid". E como eu estava muito impregnada do surrealismo apavorante de David Lynch, e outros filmes ditos "mais sérios", "mais profundos", pensei em pescar por aí algum filme do Robert Redford em que ele estivesse em pele de galã e pronto para me arrancar suspiros. Acho este homem tão bonito - e não sou muito de admirar belezas óbvias, vou mais pela via do "é charmoso em sua estranheza", mas abro exceção ao Redford -, que chega a me dar até vontades de chorar. Pois então, eu buscava algo dele que fosse um meio-termo entre uma comédia-romântica e um filme profundo, que me fizesse sonhar e refletir, mas sem me jogar no abismo dos contos de fada, ou no outro abismo do drama e das depressões suicidas.
Fui ao Filmow (rede social que, por sinal, me faz mais feliz e satisfeita que todas as outras, quase se equiparando ao finado Orkut) e, olhando pôster por pôster da filmografia do Redford, achei este título, escrito sobre uma linda cena azulada: "Up close and personal". Achei promissor. Lancei-me ao desafio...
... Não me decepcionei em nada!!! E como as demandas para esse filme não estavam tão altas assim, meu horizonte de expectativa foi superado com maestria! E adivinhem quem que o personagem do grande Redford cita numa das passagens do filme? Scott Fitzgerald! Scott Fitzgerald, sim, e sua máxima recorrente sobre a voz que soa como dinheiro!... Por sinal, também já citada aqui.
Era o que eu estava precisando, esse filme... Não muito bobo, mas também não absurdamente sério e pretensioso, filme para entrar em minha humilde lista dos favoritos e ocupar minha mente com uma linda história persistente. Gostei bastante. Normalmente não me cativa a Michelle Pfeiffer, mas achei-a ótima nesse filme. Agora são dois que me aprazem: Esse e "Nunca é tarde para amar", com meu querido Paul Rudd.
Enfim, tudo isso para dizer que tomei uma overdose de Robert Redford, e morreria feliz.
Tudo isso só aguçou ainda mais meu interesse pela obra, então fui assistir à versão de "O grande Gatsby" de 1974, em que Robert Redford interpreta o personagem principal, e Mia Farrow, a mocinha. Não gostei muito da performance dela. Apesar de o livro ter seus personagens construídos com aquele teor performático, como caricaturas da própria época, em que os diálogos muitas vezes parecem surreais, impenetráveis, ou absurdamente frívolos - características literárias admiráveis, pois décadas depois ainda conseguimos saborear nesses diálogos o gosto apurado da ironia e mordacidade com que Fitzgerald tratou sua época, e o próprio estilo de vida que, mesmo criticando tão refinadamente, ele e a esposa perseguiram em toda a vida -, não gostei absolutamente da interpretação de Mia Farrow. Poderia desenrolar um milhão de argumentos para atestar o que estou dizendo, mas acho que o que mais me aporrinhou foi o fato de ela não transmitir em nada uma das características mais marcantes de Daisy Buchanan: a voz. Aquela voz que, nas palavras dos próprios personagens, estava cheia de dinheiro. E, em outras passagens, uma voz sedutora, encantatória, para não dizer etérea. Enfim, uma voz com algo especial, uma entonação mais rouca, pausada, ou suave... Talvez como a voz da atriz que interpretou Jordan, enquanto que o timbre de Mia Farrow só me fazia pensar: "Cale a bendita boca!". Ela soava estridente e artificial sempre (como é possível?!), e talvez fosse a intenção, mas desvirtuar o maior traço da personagem do livro assim não me agradou em nada. Eu queria uma voz que me fizesse entender um pouco dessa "magia" que pairava ao redor de Daisy, e não simplesmente a voz de alguém que mal pode ser ouvida por seres humanos. Nada contra a Mia, que, ironia das ironias, tem uma voz doce e suave em todos os outros filmes. Ah, sei lá... Não sou graduada em vozes.
Contudo, em compensação, eu não poderia pensar em um melhor ator para encarnar Nick Carraway. E preciso dizer que me apaixonei por Nick? Tanto em sua exacerbada condescendência, o que muitas vezes o conduziu à omissão e, eventualmente, ao erro (mas ele estava justificado devidamente desde o início, ao afirmar que era muito cauteloso ao julgar as pessoas, preferindo dar seu voto de confiança a qualquer um, indistintamente, até as últimas consequências, esperando pelo momento quando enfim sua longa paciência se esgotaria e sua estima fosse perdida para sempre), quanto em sua extremada lealdade. Gostei de tudo a respeito dele, até do que não deveria inspirar paixão. Tanto o personagem literário, em sua essência invisível, mas bem palpável na página do livro, quanto do personagem na tela, andando, falando, pensando, bebendo. Impressionou-me ainda a precisão com que imaginei um Nick Carraway muito semelhante ao ator da versão de 1974, com a diferença dos cabelos, que em minha mente eram um pouco mais claros. Enfim, tolices de leitor.
Voltando ao próprio Gatsby. Após ver o filme, me senti inspirada e inclinada a caçar um pouco mais de Redford. Tudo o que eu já tinha visto dele se reduzia muito provavelmente a três títulos: "Nosso amor de ontem", "Proposta indecente" e "Butch Cassidy & The Sundance Kid". E como eu estava muito impregnada do surrealismo apavorante de David Lynch, e outros filmes ditos "mais sérios", "mais profundos", pensei em pescar por aí algum filme do Robert Redford em que ele estivesse em pele de galã e pronto para me arrancar suspiros. Acho este homem tão bonito - e não sou muito de admirar belezas óbvias, vou mais pela via do "é charmoso em sua estranheza", mas abro exceção ao Redford -, que chega a me dar até vontades de chorar. Pois então, eu buscava algo dele que fosse um meio-termo entre uma comédia-romântica e um filme profundo, que me fizesse sonhar e refletir, mas sem me jogar no abismo dos contos de fada, ou no outro abismo do drama e das depressões suicidas.
Fui ao Filmow (rede social que, por sinal, me faz mais feliz e satisfeita que todas as outras, quase se equiparando ao finado Orkut) e, olhando pôster por pôster da filmografia do Redford, achei este título, escrito sobre uma linda cena azulada: "Up close and personal". Achei promissor. Lancei-me ao desafio...... Não me decepcionei em nada!!! E como as demandas para esse filme não estavam tão altas assim, meu horizonte de expectativa foi superado com maestria! E adivinhem quem que o personagem do grande Redford cita numa das passagens do filme? Scott Fitzgerald! Scott Fitzgerald, sim, e sua máxima recorrente sobre a voz que soa como dinheiro!... Por sinal, também já citada aqui.
Era o que eu estava precisando, esse filme... Não muito bobo, mas também não absurdamente sério e pretensioso, filme para entrar em minha humilde lista dos favoritos e ocupar minha mente com uma linda história persistente. Gostei bastante. Normalmente não me cativa a Michelle Pfeiffer, mas achei-a ótima nesse filme. Agora são dois que me aprazem: Esse e "Nunca é tarde para amar", com meu querido Paul Rudd.
Enfim, tudo isso para dizer que tomei uma overdose de Robert Redford, e morreria feliz.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
ELEVEN A.M.
Edward Hopper.
A mais nova descoberta.
Mais antigo que a solidão?
Nada.
Transposição.
O eu na terebentina.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
O ADEUS
De algum modo, eu sabia, pressentia que este momento chegaria.
Momento em que deixo para trás velhos hábitos. Momento em que descubro, bastante atordoada, mas ciente, em meio às esquinas da livraria, que os livros que sempre li e que sempre me emocionaram e me distraíram e me acalentaram já não me apetecem mais.
Momento em que chego à borda das lombadas, e capas cor-de-rosa e azul-celeste não me sugerem mais nada, não me seduzem. Momento em que passo pela estante da distração, do escapismo, da massificação, do infanto-juvenil, do chick-lit, do trivial, do bobo, e nada daquilo mais me chama.
2h frenéticas, à caça, e nada. Nem um arroubozinho sequer.
O que fazer?... Não sei.
O adeus. O momento em que percebo que, de certa forma, amadureci, pois o que antes para mim era normal, muitas vezes sagrado e inquestionável, hoje parece verde e infantil. Maturei, sim, talvez. Mas não o bastante para encarar os clássicos... Os quais ainda me cansam antes mesmo que eu comece a lê-los!
Parece que ainda não sou adulta, mas também não mais criança, nem adolescente - eis o meu vácuo literário... Estou vivendo-o. Na espera de que algum arroubo venha me tirar da letargia. Porque já não há tesão por Sheldon, Nora Roberts e Danielle Steel, contudo, ainda não estou preparada para Wilde, Byron, Mansfield, enfim, toda a corja britânica, e igualmente despreparada para Eco, García Márquez e Italo Calvino. Tanta pretensa intelectualidade aglomerada ao redor desses nomes me enfada, me enerva...
E eu fico assim mesmo, sem nada ler. Não conseguindo, assim, ler nada além de mim mesma.
Momento em que deixo para trás velhos hábitos. Momento em que descubro, bastante atordoada, mas ciente, em meio às esquinas da livraria, que os livros que sempre li e que sempre me emocionaram e me distraíram e me acalentaram já não me apetecem mais.
Momento em que chego à borda das lombadas, e capas cor-de-rosa e azul-celeste não me sugerem mais nada, não me seduzem. Momento em que passo pela estante da distração, do escapismo, da massificação, do infanto-juvenil, do chick-lit, do trivial, do bobo, e nada daquilo mais me chama.
2h frenéticas, à caça, e nada. Nem um arroubozinho sequer.
O que fazer?... Não sei.
O adeus. O momento em que percebo que, de certa forma, amadureci, pois o que antes para mim era normal, muitas vezes sagrado e inquestionável, hoje parece verde e infantil. Maturei, sim, talvez. Mas não o bastante para encarar os clássicos... Os quais ainda me cansam antes mesmo que eu comece a lê-los!
Parece que ainda não sou adulta, mas também não mais criança, nem adolescente - eis o meu vácuo literário... Estou vivendo-o. Na espera de que algum arroubo venha me tirar da letargia. Porque já não há tesão por Sheldon, Nora Roberts e Danielle Steel, contudo, ainda não estou preparada para Wilde, Byron, Mansfield, enfim, toda a corja britânica, e igualmente despreparada para Eco, García Márquez e Italo Calvino. Tanta pretensa intelectualidade aglomerada ao redor desses nomes me enfada, me enerva...
E eu fico assim mesmo, sem nada ler. Não conseguindo, assim, ler nada além de mim mesma.
sábado, 16 de outubro de 2010
AO MEU MENTOR
Ainda lembro a primeira vez em que o vi. Branco, cabelos de um tom indefinível de castanho, desses louros assim, meio escuros, meio acabrunhados. Aparelho nos dentes e boné. Meu Deus, quem diria que era um professor? Ele é. Mas foi além, muito além disso. Ele foi o meu mentor desajustado, dos ajustes mais perfeitos, mais sinceros, mais bacanas. Encaixou. Pude até ouvir um "clic" quando a ficha caiu: "É ele!".
Confesso que no início menosprezei, por medo, eu estava amedrontada. Mas isso durou apenas uns dois, três minutos. Até que sua primeira aula começou e eu entendi que era ele. Ele e ele. Engraçadíssimo. Sacana. Eu tentei... Mas o riso explodiu, inevitável!
Eu sinto uma saudade imensa porque este homem-rapaz foi para mim muito mais que um mestre. Ele deu valor a coisas minhas que ninguém jamais deu... Como uma boa resposta, como citar Paulo Leminski e a poesia marginal numa prova. Ele deu valor a uma sede que existia aqui por dentro - esse meu interior ainda misterioso - e eu nem ao menos conhecia sua extensão: a sede de escrever. De viver. Meu Deus... De viver! Eu só devo agradecer.
Um homem inteligentíssimo. Um garoto. Inefável. Poderia ser meu irmão mais velho, imaginem só. Ouvir suas histórias, contos incisivos, picantes, azedos, melados, lindos, bons, era como ser transportado com um chute no estômago até um local inimaginável. Cores escorrendo pelas paredes, o sonho e o talento vibrando por cada acento agudo na voz, quem sabe uma batida sussurrada, o eco que assenta, e o fim magistral.
Eu amei cada segundo com esse professor. Eu amo. E muito. Ora, nem me contradigo! Por mais complicada e indecisa e desajuizada que eu seja - por ter deixado arrefecer nossos caminhos cruzados, o meu e o dele -, ainda assim digo sem errar: Ele foi o meu mestre literário. O original. O primário. O primogênito que atiçou minha mão direita, com a qual escrevo. Ele foi maravilhoso. Ele é.
Bruno. Pardo. Moreno. Nem é. É branquinho... Aparentemente calmo. Mas experimente provocá-lo. Não, não experimente.
Sabe-se lá por onde anda agora. Será que lembra de mim? Será que sente saudades? O meu letrado futuro doutor. Mestre já é. Certeza. O nosso. De uma turma inteira. Não só uma turma, mas uma trupe barulhenta e ainda assim acanhada de amigos que foram consquistados com um tiro no peito. Irrevogável.
Hoje, esse sangue nostálgico e saudoso que escorre do trauma de bala é o mesmo rio que flui e jorra dos meus dedos quando quero meditar, escrever. Penso nele, aquele professor, e fico matutando... Eu também quero vencer. Vencer a mim mesma. Vencer as circunstâncias que diziam ser improvável que um coração interiorano caísse nas graças do mundo vasto mundo.
Ainda penso nele quando escrevo, penso em vitória, em cansaço, em sirene. Meu mentor. Sem seu estímulo teria sido tudo muito mais lento. O que posso dizer? Veja se volte. Tenho saudades. E o que mais? Obrigada. De B para B, mil vezes: Obrigada!
Ao meu mentor.
Confesso que no início menosprezei, por medo, eu estava amedrontada. Mas isso durou apenas uns dois, três minutos. Até que sua primeira aula começou e eu entendi que era ele. Ele e ele. Engraçadíssimo. Sacana. Eu tentei... Mas o riso explodiu, inevitável!
Eu sinto uma saudade imensa porque este homem-rapaz foi para mim muito mais que um mestre. Ele deu valor a coisas minhas que ninguém jamais deu... Como uma boa resposta, como citar Paulo Leminski e a poesia marginal numa prova. Ele deu valor a uma sede que existia aqui por dentro - esse meu interior ainda misterioso - e eu nem ao menos conhecia sua extensão: a sede de escrever. De viver. Meu Deus... De viver! Eu só devo agradecer.
Um homem inteligentíssimo. Um garoto. Inefável. Poderia ser meu irmão mais velho, imaginem só. Ouvir suas histórias, contos incisivos, picantes, azedos, melados, lindos, bons, era como ser transportado com um chute no estômago até um local inimaginável. Cores escorrendo pelas paredes, o sonho e o talento vibrando por cada acento agudo na voz, quem sabe uma batida sussurrada, o eco que assenta, e o fim magistral.
Eu amei cada segundo com esse professor. Eu amo. E muito. Ora, nem me contradigo! Por mais complicada e indecisa e desajuizada que eu seja - por ter deixado arrefecer nossos caminhos cruzados, o meu e o dele -, ainda assim digo sem errar: Ele foi o meu mestre literário. O original. O primário. O primogênito que atiçou minha mão direita, com a qual escrevo. Ele foi maravilhoso. Ele é.
Bruno. Pardo. Moreno. Nem é. É branquinho... Aparentemente calmo. Mas experimente provocá-lo. Não, não experimente.
Sabe-se lá por onde anda agora. Será que lembra de mim? Será que sente saudades? O meu letrado futuro doutor. Mestre já é. Certeza. O nosso. De uma turma inteira. Não só uma turma, mas uma trupe barulhenta e ainda assim acanhada de amigos que foram consquistados com um tiro no peito. Irrevogável.
Hoje, esse sangue nostálgico e saudoso que escorre do trauma de bala é o mesmo rio que flui e jorra dos meus dedos quando quero meditar, escrever. Penso nele, aquele professor, e fico matutando... Eu também quero vencer. Vencer a mim mesma. Vencer as circunstâncias que diziam ser improvável que um coração interiorano caísse nas graças do mundo vasto mundo.
Ainda penso nele quando escrevo, penso em vitória, em cansaço, em sirene. Meu mentor. Sem seu estímulo teria sido tudo muito mais lento. O que posso dizer? Veja se volte. Tenho saudades. E o que mais? Obrigada. De B para B, mil vezes: Obrigada!
Ao meu mentor.
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