Mostrando postagens com marcador Classe Média Sofre. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Classe Média Sofre. Mostrar todas as postagens

sábado, 16 de março de 2013

COMO DIZER...?

Como dizer para aquele seu amigo ou conhecido que, no inglês, o adjetivo vem antes do substantivo? Que você quer de volta aquele livro que emprestou há mais de um ano? Que os acentos não existem por acaso, e devem ser colocados nas palavras dos trabalhos que vocês fizerem juntos? Que o personagem que ele mais gosta vai morrer antes do final da série/livro e, por isso, é melhor não se afeiçoar tanto? Que ouvir sertanejo não o promove a uma categoria de seres humanos legais? Que usar os cortes de cabelo do Neymar não faz dele um grande jogador de futebol-pegador-ricaço? Que o perfume que usa dá náuseas? Que mastigar de boca aberta e fazendo barulho ainda não está na moda? Que batom azul assusta? Que você prefere pizza sem cebola? Que não quer ganhar um ovo de páscoa de Charge, porque não gosta de chocolate com amendoim? Que não se pronuncia "Keiti" Richards? Que as montagens fotográficas que ele faz são toscas? Que ninguém se interessa por seu coração partido semanalmente? Que ninguém quer saber onde ele está nem o que anda comendo? Que ninguém liga para o fato de se sentir feliz porque hoje é sábado? Que é chato - e ilógico -  reclamar de dor de cabeça e continuar no Facebook? Que Johnny Depp não é uma espécie de messias? Que elogiar a fotografia de um filme não faz dele um crítico de cinema? Que ele não sabe usar as palavras "paradigma", "estereótipo", "paradoxo" e "clichê" nos contextos certos? Que dor de corno nas redes sociais é mais repelente que ao vivo? Que ele não tem autoridade para corrigir a gramática de ninguém? Que ele superestima o consumo de Doritos? Que compartilhar fotos de cachorrinhos e bebês desconhecidos não o torna cativante? Que seu gosto musical o está reduzindo a uma ameba? Que ele coloca vírgulas onde não deveria? Que ser poeta de Facebook é mais ridículo que lírico? Que ninguém está dando a mínima para o seu aumento de bíceps? Que exibir glúteos e glândulas mamárias em fotos não atrai pensamentos saudáveis? Que ele não é bom em inventar piadas? Que não vai conseguir passar em Medicina? Que não desenha nem de perto "bem"? Que jamais será um escritor? Que seu francês é sofrível? Que aquela foi uma curtida irônica de fulano? Que ter pintado o cabelo foi um erro? Que gostar de velha MPB ou derivados não o faz mais adulto ou intelectual? Que ter dreads não o promove a nenhuma categoria de almejada idiossincrasia? Que ele não precisa baixar toda a discografia e decorar todos os nomes dos integrantes e seus parentes para se tornar fã de uma banda? Que ninguém jamais curtirá seus vídeos no YouTube gravados com a câmera do Motorola V3 e, se depender disso, jamais será um grande vlogger? Que "A batalha do apocalipse" não é "o melhor livro do mundo"? Que tirar fotos de boca torta é quase tão traumatizante quanto com a língua de fora? Que dá vergonha ao vê-lo citar Caio Fernando Abreu ou Paulo Coelho? Que andar com uma garrafinha de água pra cima e pra baixo é broxante?
Como? Como?
Faça o seguinte: mostre esta postagem a ele; cole no mural, faça o link sutilmente escorregar em alguma rede social, ou abra a janela no notebook e saia de fininho, e deixe o resto por conta do cidadão... E se, ao final, não resultar... Bem, arranje novos amigos.

domingo, 25 de novembro de 2012

NA FILA

Delícias infinitas nos são proporcionadas quando estamos ali ranzinzas, azedos à espera do atendimento, como que para compensar a demora paradoxal dos fast food.
Dois Sócrates na fila:
- ... É louco, cara! Você faz uma descoberta. E aí vai percebendo ao longo do seu cotidiano, nos dias seguintes, imediatamente após o descoberto, milhares de referências àquilo que antes você não conhecia. Filmes, músicas, hiperlinks, notas de rodapé nos livros... Uma loucura...
- Sei como é. Então a gente para pra pensar e se pergunta quantas coisas mais tem deixado escapar... Vivemos essa vida de ignorância plácida, ridícula...
- Mas aí, superado o desespero inicial, vem essa mesma ignorância, com aquela vozinha doce, confortadora, e sussurra no seu ouvido... "Calma... Você viveu até aqui sem saber de nada... Não é agora que vai morrer, não é mesmo?"
- Ha, ha, ha! Essa ignorância é mesmo uma quenga!
- É...
- Interessante mesmo é aproveitar o caminho natural das descobertas, não é? Não tem jeito. Deixa rolar. Não vou sair à caça. Se algo escapar à percepção, nem saberemos. Afinal, não sabemos mesmo!
- Verdade... E por mais que eu venha a saber de algo mais, permaneço sem saber de todo o resto. O fato de eu começar a conhecer só me mostra como sou ignorante!
- Saber que nada se sabe é uma bênção. Não corro o risco de achar que já sei de tudo. Essas descobertas fortuitas me mantêm ligadão. E aí, vai pegar o Big Mac de sempre?
- Hoje eu vou de Big Tasty.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O ADEUS

De algum modo, eu sabia, pressentia que este momento chegaria.
Momento em que deixo para trás velhos hábitos. Momento em que descubro, bastante atordoada, mas ciente, em meio às esquinas da livraria, que os livros que sempre li e que sempre me emocionaram e me distraíram e me acalentaram já não me apetecem mais.
Momento em que chego à borda das lombadas, e capas cor-de-rosa e azul-celeste não me sugerem mais nada, não me seduzem. Momento em que passo pela estante da distração, do escapismo, da massificação, do infanto-juvenil, do chick-lit, do trivial, do bobo, e nada daquilo mais me chama.
2h frenéticas, à caça, e nada. Nem um arroubozinho sequer.
O que fazer?... Não sei.
O adeus. O momento em que percebo que, de certa forma, amadureci, pois o que antes para mim era normal, muitas vezes sagrado e inquestionável, hoje parece verde e infantil. Maturei, sim, talvez. Mas não o bastante para encarar os clássicos... Os quais ainda me cansam antes mesmo que eu comece a lê-los!
Parece que ainda não sou adulta, mas também não mais criança, nem adolescente - eis o meu vácuo literário... Estou vivendo-o. Na espera de que algum arroubo venha me tirar da letargia. Porque já não há tesão por Sheldon, Nora Roberts e Danielle Steel, contudo, ainda não estou preparada para Wilde, Byron, Mansfield, enfim, toda a corja britânica, e igualmente despreparada para Eco, García Márquez e Italo Calvino. Tanta pretensa intelectualidade aglomerada ao redor desses nomes me enfada, me enerva...
E eu fico assim mesmo, sem nada ler. Não conseguindo, assim, ler nada além de mim mesma.


domingo, 22 de janeiro de 2012

FAMA VIRAL

Texto para a coluna Antenados, do jornal Tribuna Amapaense, em 21 de janeiro de 2012. Nesta última semana, os dois assuntos mais comentados na internet e nas emissoras de televisão foram: O possível estupro no programa Big Brother Brasil e Luiza, que estava no Canadá. Se você não sabe quem é Luiza, eu explico: A menina teve seu nome citado pelo pai em uma propaganda de imóveis na qual, depois de enumerar as suítes, ambientes e clube de lazer do prédio, o homem dizia: “E é por isso que eu fiz questão de reunir toda a minha família, menos Luiza, que está no Canadá, para recomendar este empreendimento que eu assino embaixo”. O vídeo virou febre na internet. Reproduziu-se de modo viral, e a propaganda já tem 5 milhões de visualizações, além de outros arquivos relacionados ao assunto. Agora o pai da moça, Gerardo Rabelo (colunista social paraibano), junto com o resto da população brasileira tentam entender e explicar como se deu tamanho sucesso. De acordo com site da internet, onde consta uma entrevista de Gerardo e do produtor do comercial, “toda essa história começou quando o pai de Luiza, há cerca de 15 dias, foi convidado para participar do comercial em João Pessoa. A filha Luiza não estava na ocasião devido ao intercâmbio no Canadá, e os produtores acharam que Gerardo deveria dar alguma explicação sobre a ausência da filha. O vídeo, após cair no YouTube, acabou virando uma grande piada, e claro, um ótimo negócio”. Luiza já está de volta ao Brasil. A pretexto, para dar cabo às piadinhas cibernéticas e frear o vírus “Luiza, que está no Canadá”. Contudo, há quem diga que a jovem voltou mais cedo do intercâmbio simplesmente para gozar as delícias da fama, por mais efêmera que possa ser. Assim ou assado, uma coisa é certa: O vírus já sofreu mutação e agora vêm em sua versão 2.0 – “Luiza, que não está mais no Canadá”. Pelo visto, teremos ainda mais quinze minutos de fama. O segundo tópico mais explorado na rede e em todo Brasil, foi o suposto estupro ocorrido no reality show de Pedro Bial. Não transmitiram a cena libidinosa na TV aberta, pois o programa não estava mais sendo exibido quando tudo aconteceu. Entretanto, aqueles que possuem o “pay-per-view” conferiram integralmente o desenrolar da “transação”. Os telespectadores com acesso a cena começaram a fazer algum barulho na internet, comentando o provável crime. Monique, a vítima, parecia estar dormindo durante o estupro, visivelmente alcoolizada. Rapidamente os vídeos se alastraram pela internet. E o participante assanhadinho, Daniel, foi expulso do programa, com menos de uma semana. Desde o dia do ocorrido, 15 de janeiro, a polícia já esteve na casa do Big Brother Brasil, e muitas outras implicações judiciais já eclodiram, atingindo todos os envolvidos, inclusive os produtores do programa. A polêmica rendeu até 8 pontos de audiência para a emissora rival, de Bispo Macedo. O programa “Fala Brasil”, da Rede Record, conseguiu ultrapassar o “Mais Você”, de Ana Maria Braga, falando sobre o próprio BBB 12. Agora, o ex-big brother Daniel tenta voltar à disputa. Para saber se ele vai conseguir ou não o seu regresso, só assistindo aos próximos capítulos do “jogo”. Eu não me arrisco. O que podemos aprender com isso tudo (se é que há algum aprendizado para além da alienação/indignação maciças) é que, hoje, só consumimos porcaria. Lixo informacional, quando não humano. Estamos bombardeando a nós mesmos com tantas discussões inúteis, que podem até gerar algumas observações interessantes a respeito do caráter humano, mas que não vão nos moldar rumo a uma cidadania concreta ou postura social mais nobre. Nem nos brindarão com uma porção eficaz e responsável de criticidade, consciência, e todos aqueles ideais politicamente corretos, que a cada dia parecem um ideal mais distante e démodé. A fama viral que a internet proporciona a alguns sortudos indivíduos – os quais muitas vezes não fazem nada para merecê-la, apenas integram a “sociedade paraibana” ou bolinam uma pobre menininha bêbada em rede nacional –, só comprova nossa fome de lixo. Talvez estejamos buscando um escape para a seriedade imposta pelos problemas do mundo. Talvez queiramos só rir à custa de uma elite que frequenta o Canadá, ou falsamente nos indignar e espernear perante tudo o que aparece na televisão, já que Bial afirmou ser esta a “ágora brasileira”. Talvez tudo isso junto. Talvez nada disso. Não há nada a saber. O que há para saber? Que a crise continua? Que Elis Regina morreu? Ora... Luiza não se importa com isso, imagino eu. Muito menos Daniel. E, se não importa a essas duas personalidades, ícones consagrados pela aclamação popular, não importa a nenhum de nós também.

VEROSSIMILHANÇAS DE GRISELDA E TEREZA CRISTINA


Texto para a coluna Antenados, do jornal Tribuna Amapaense, em 7 de janeiro de 2012.

Não existe nada de verossímil em Tereza Cristina Velmont, muito menos em Griselda Pereira. Ou seja, essas duas personagens do horário nobre são seres inventados que, por mais redundante que possa parecer, jamais ocorreriam na vida real.
A começar pelos nomes. Onde no Brasil uma pessoa de fina estirpe se chama "Tereza Cristina"? Que combinação mais esdrúxula! Bem, até há certas misturas às quais já nos adaptamos. Exemplos: Ana Paula, Ana Júlia, Paulo Vitor, Carlos Eduardo, e etc. Mas, Tereza Cristina?! Eca.
Já sobre a mocinha do enredo, nunca conheci, nem ouvi falar de alguém que conhecia alguém que conhecia alguém de nome “Griselda”. Tudo bem que a "Griseldinha" não é brasileira, é portuguesa, mas duvido que existam muitas outras na terra dos lusitanos.
De volta à nossa vilã Tereza Cristina, falemos agora de sua conduta pérfida no agir e no vestir. Pode até ser que ela traje Versace, mas será que precisa usar sempre tudo “combinandinho”?! Vestido azul, colar azul, brinco azul, lingerie azul, lente de contato azul... Ufa! A ricaça poderia aprender mais com seu pajem colorido, o Crodoaldo (este nome então não vamos nem comentar...).
E sobre o rastro de crimes e malvadezas que Tereza Cristina deixa atrás de si? Não há consequências? O mau-caratismo da mulher é outra inverossimilhança das brabas... Ela já matou na escada, matou na estrada, matou no hospital, tocou fogo na casa da portuguesa... E sempre escapa impune. Com tanto talento e criatividade, difícil é acreditar que nunca arrumou um ofício para dar sentido à sua vida.
A respeito de Griselda, acrescento: se eu ganhasse 50 milhões, será que continuaria por aqui, chorando as pitangas com minhas comadres (sem lhes dar um mísero milhão), suando litros a fim de manter uma lojinha de ferramentas, enquanto minha filha continua a vender cremes, meu filho numa pensão, e o outro desempregado? É claro que não! Eu mandaria todo mundo pra Sorbonne e ia cuidar dos trâmites pra fazer meu pé-de-meia lá na China, enquanto curtia horrores em Ibiza.
Enfim. O que quero dizer é que, apesar de ter um apelo popular incrível, devido ao exagero tragicômico de seus personagens, a novela “Fina Estampa” é uma impossibilidade por si só. Como já dito, a trama pode até fazer sucesso, porque os telespectadores gostam de ver suas mazelas e virtudes ali, maximizadas... Mas não por muito tempo. Essa fanfarronice toda enjoa. Os personagens são extremamente caricatos. Não há neles as camadas das cebolas, que só os melhores autores conseguem descascar capítulo após capítulo.
Volto a afirmar: Nenhuma daquelas pessoas existiria na vida real, simplesmente porque são boas demais, ou mesquinhas demais, ou chatas demais, ou perfeitas demais, ou malvadas demais, ou nada de mais... Ninguém é assim em nenhum dos cantos do globo. Todos nós somos dotados de imperfeições e requintes, singeleza e capricho, surtos, tiques, afetações, trombas, tapas, algodão e veludo. Coexistindo. Somos personagens esféricos, vivendo novelas reais; não quadrados e óbvios, enfadonhos, nem estupidamente maravilhosos, glamorosos, audaciosos e gostosos sempre.
Desse modo, os nossos programas, nosso entretenimento em geral, devem refletir aquilo que somos, pois esta também é uma maneira de entendermos melhor a condição humana. Quando, por exemplo, assistimos a filmes ou ouvimos músicas nos quais há uma humanidade tão visceral e, ao mesmo tempo, uma beleza tão angélica, nós começamos a nos compreender melhor.
Não pretendo aqui afirmar que, para prestar, nossas distrações precisem ser exaustivamente sérias, sisudas e espartanas. Não é isso. As próprias telenovelas também servem para escapulirmos um pouco das novelas da vida real, não?... Pois bem, que seja válvula de escape, que seja invenção, criatividade, uma dose certa de exagero. Mas até o surrealismo conserva em seu nome o radical palpável da realidade.
A saga Harry Potter, por exemplo. Apesar de um aparente besteirol mistificado, conserva algo indispensável à verossimilhança, que supera a minúcia de sua autora: todos aqueles seres bizarros que lemos ou vimos são recheados de dilemas e questões demasiado humanos.
Assim, o que proponho não chega a ser nenhuma revolução televisiva ou qualquer prepotência do gênero. Também não sugiro que se troque o controle remoto por um exemplar do Nietzsche. Quero apenas, com todo o meu charmoso pedantismo, sugerir à rede Globo que me contrate para escrever a próxima novela das nove. Serei extraordinária, sem perder o elã da realidade.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

MELOSIDADE NA BLOGOSFERA

É impressionante a quantidade de bloguinhos bem-intencionados, mas que pingam mel choco, existente por aí. Estava eu passeando pelos sítios cibernéticos e, em menos de dez minutos, lambuzei meus dedos e olhos em dois blogs que, de tão dramáticos, excessivamente melosos, e românticos de uma maneira criminosa, chegaram a me enjoar e me fizeram odiar a raça humana. E a mim, por fazer parte dela. Somos esses seres frágeis, cheios de rebuscamento e firulas que escondem imperfeições medonhas, e ainda assim insistimos em cantar nossos sentimentalismos frustrados aos sete ventos da internet.
Eu neste ânimo, odiando a raça humana e sua pieguice, e todos os blogueiros melosos que deveriam ser queimados na fogueira, quando de repente me dou conta de que meu próprio blog é um poço de candura bem-intencionada e sentimentalismo estafante.
Oh, amigos, o que estamos fazendo aqui? Essa vida de blogosfera é difícil, e ainda insistimos em ganhar o pão e a clientela falando de coisas que, na verdade, ninguém lê nem nunca lerá.
A poesia morreu, a sensibilidade, o cuidado e atenção para com o próximo. Oh, mortais! Eu me demito.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

"A NOSSA MÚSICA"

É normal todo casal ter sua musiquinha temática. E não digo isso de modo esnobe ou debochado. Apenas comento. Mas falemos sobre os curiosos casos em que os casais escolhem como trilha sonora de seus romances canções lindíssimas e inspiradoras como... "Seu guarda, eu não sou vagabundo, eu não sou deliquente, sou um cara carente!".
Eu tinha uma amiga, na época em que morei na chuvosa Belém, que, durante nossa sétima série, namorou um carinha mais velho, da mesma escola, que era "TUDO" com letras garrafais. Bonito, charmoso, educado... Enfim, era bacana.
Os dois foram passar, com suas famílias, a virada do ano lá na Estação das Docas. Ocuparam suas mesas, curtiram o visual, beijaram, blá-blá.
Depois, ela me deu todo o parecer da noite, contou como foi, se divertiu enumerando os detalhes. Até que, em dado momento, minha amiga disse: "Aí tocou a nossa música...". E eu perguntei: "Que música?". E ela me respondeu: "Aquela da Vanessa da Mata com o Ben Harper".
Ah, Deus. Ela estava falando de Boa Sorte (Good Luck). Eu disfarcei uma caretinha e, mesmo ainda ouvindo seus relatos interessadamente, só o que eu podia pensar era: "ISSO LÁ É MÚSICA PARA SE ESCOLHER?????"
Vejam se vocês me entendem. A música fala sobre despedida, sobre um relacionamento desgastado que finalmente acabou, fala sobre dizer adeus a alguém que compartilhou a vida com você, fala sobre ceder à pressão dos "amigos", dos que estão ao redor, de todas as circunstâncias que sufocam e matam estes simulacros de amor que vivemos hoje. Se o amor já é tão frágil e capenga, como o concebemos, por que sufocar ainda mais o bichicho, escolhendo, para ser o tema de um amor ainda jovem, uma música que fala sobre fim e saparação?! Certamente um começo não muito auspicioso, quem sabe até a fabricação de um presságio.
Bem, os meus amigos da história não tardaram muito a desmanchar a relação, ainda que estivessem envolvidas as famílias e tudo o mais. Mas também, com uma música psiquenta dessas!... Que relacionamento suportaria?! Só mesmo um de verdade.
É por isso que, já eu, sempre fui honesta com meus momentos, meus relacionamentos, e suas respectivas músicas.
Mentira!
Talvez tenha sido eu a que já cometeu os erros mais estúpidos desse tipo, alguns ínfimos, mas ainda assim estúpidos. Destas experiências, extraí muito. É verdade quando dizem que aprendemos com cada estupidez. E, se posso dar um conselho sábio, eu digo: jamais, JAMAIS, amiga/o minha, chegue para o seu companheiro e pergunte, em voz melosa: "Qual é a nossa música, amor?" Não pergunte, porque essas coisas não se perguntam, não se fabricam, entende? Elas simplesmente acontecem... A música do casal aparece quando tem de aparecer, não é uma obrigatoriedade que seja sempre no início da relação. E, se você não deixa rolar, e, ao invés disso, força a barra e pergunta: "Qual é amor, qual é? A nossa música, amor!", vai que ele te responde "Good Luck", tchau e bênção, vá com Deus?! Ou até mesmo canta para você: "Teus lábios são labirintos..." E esquece de completar dizendo que, em todo refrão de bolero, há pelo menos um corno, um adúltero e um alcoólatra!
Já pensou?!
É melhor deixar como está.
Forçar não é legal exatamente porque não é espontâneo.

domingo, 27 de março de 2011

AS VANTAGENS DAS DESVANTAGENS DA VIDA

1.Dor de cabeça
Vantagem: É sinal de que você tem cabeça!

2.Vomitar no carro do ficante/namorado/amigo
Vantagem: Ele nunca mais vai te arrastar até a lanchonete "podrão" da esquina.
3.Levar um baita fora
Vantagem: Sempre vai ter alguém especial disposto a juntar os caquinhos.

4.Engolir sapo no restaurante sem reclamar
Vantagem: Você não corre o risco de algum garçom cuspir no seu refrigerante.

5.Novelas do SBT
Vantagem: Farão você morrer de rir em qualquer momento.

6.Engravidar a moça errada
Vantagem: Qual é! Você vai ter um filho!

7.Brigar com a mãe
Vantagem: Ela sempre vai te perdoar. E o colo volta ainda mais gostoso.

8.Tecnobrega
Vantagem: Qualquer um pode enriquecer "cantando" isso. Inclusive você.

9.Politicagem
Vantagem: Pode-se criticar à vontade!

10.Ego inflado
Vantagem: Vem normalmente acompanhado de pessoas que, no fundo, não passam de meros mortais inseguros ou oprimidos. Portanto, não há motivo para temer.

11.Depressão pós-livro
Vantagem: Se foi tão apaixonante, você pode lê-lo outra vez, e outra, e mais outra, até decorar cada fragmento da obra, até entranhar as palavras na pele...

12.Fim de filme bom
Vantagem: Se você viu no cinema, pode chegar em casa e pesquisar tudo na internet, até enjoar! Se viu em DVD, pode sempre rebobinar e rever as melhores partes.

13.Apagão
Vantagem: Num átimo você começa a enxergar o mundo com outros olhos. Percebe a dependência, a alienação, o consumismo, a degradação... Só resta levar essas profundas e filosóficas reflexões adiante e não esquecer depois que a luz voltar!

14.Perder a Copa do Mundo
Vantagem: Lembrar que nada nem ninguém é invencível ou perfeito, mesmo com um time inteiro de craques.

15.Virar zumbi no último ano do colégio
Vantagem: Já dizia meu professor... "Vestibulando sem olheira, não é vestibulando! Vestibulando sem gastrite, não é vestibulando!" Logo, você provavelmente vai passar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DROGA

Seguindo a mesma linha de raciocínio do meu amigo Pedro Bandeira... Essa droga de vida, essa droga de escola, essa droga de trabalho, essa droga de comida, essa droga de computador, essa droga de férias... Epa! Peraí. Droga de férias?! Quem pode ter dito uma coisa dessas?
A mania de reclamar às vezes nos pega de jeito. E estamos também tão apegados a ela, que esquecemos de desfrutar o momento presente, esse tal agora; o qual, se você olhar bem fundo, ou nem tanto, vai descobrir que é simplesmente maravilhoso... Então, para começar, por que amaldiçoar as férias? Esse excesso de negatividade e ranhetice fica para uma outra hora. Por enquanto, desfruta. Toma o que é teu por direito, esse mês ensolarado e chuvoso, e se vinga de uma vez do capitalismo. Vilão tão complexo que nos obriga a estudar durante a maior parte das nossas vidas. Esse. Esse. Esse. Que se repitam as palavras, deixa assim!
Ora, não reclame, quem sabe viva um pouco. Viva um pouco mais. Não quero mais alimentar essa mania de parafrasear e emprestar dos grandes autores, também não intento mais um "Filtro Solar" por aqui. Mas sobre chicletes e equações de álgebra, bem, curta o seu chiclete, e vá mascando até quando der. Acabou o açúcar, acabou o tempo da prova, cuspa, saia. Mas, gente, vamos aproveitar. Reclamem só quando estritamente necessário.
E deixem o lado rabugento comigo.