Mostrando postagens com marcador Ranhetice. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Ranhetice. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

TUDO SUSPENSO

Na aula de Educação e Cinema, sem conseguir me concentrar. Vontade de chorar estranha, porém a conheço bem. Quero estar na minha cabeça e ao mesmo tempo fugir dela. Essa agonia de paixonite frustrada oprime. Preciso escrever para dar sentido a tudo isso... Ou na verdade esvaziar o sentido de tudo. Se não significar mais nada, estarei bem.
Não tenho fome. Não tenho vontade de lutar pelos trabalhos atrasados da faculdade. O semestre está quase no fim, mas há ainda um tanto a fazer. Não quero... Não me sinto no clima. Não desejo sair, não quero partir. O que quero não posso. Quero ficar e ter e ver e sentir e provar. Que estou certa em pensar que estou errada, mas estando errada me realizaria tanto...
Não posso pensar assim!
Confusa, é o que estou. Não, na verdade, muito convicta (de que o que eu quero não pode ser). Mas continuo querendo... Minha mente segue sem descanso em desvarios persistentes.
Que mais? Passam agora ali no quadro um vídeo em espanhol. Ninguém entende nada. Algo sobre edição de áudio. Suspiro.
Totalmente compreensível, assim, que eu me volte para mim mesma, desatenta ao mundo, perdida em palavras, perdida nos meus arremedos arruinados de sentimentações...
Minha mente fervilha. Socorro! Quero fugir de mim em mim. Poderei? É irrefreável vontade. Quero me entocar aqui dentro, mas, ao mesmo tempo, ao mesmo tempo em que a prisão mental me conforta, com suas ilusões tão doces e seus eflúvios langorosos, lúbricos, sei que me fará muito mal permanecer nela. Beiro o caos. Gosto dele. Contudo há de me tragar. Tremo.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

QUEM SOU EU

Paragrafação escrota, prazos estourados, não fala palavrão, só mesmo no texto literário. Textinhos melecados escritos na telinha apertada e angustiante do celular. O criado-mudo abandonou a TV, esta foi para o chão, e ele agora ao lado da cama, mil sonhos mil projetos mil planos arquitetônicos sobre ele projetados, permanece apenas e unicamente atulhado, cheio de poeira, inútil em seu excesso de utilidade provisória e indispensável. Come, come, come. Engorda gradualmente a cada ano uma gordura definitiva. Não para de comer porque não se privará de nada. Um dia, se assusta, quem sabe. Teve aquele livro que fez o coração doer por mais tempo que deveria por um amor que não durou muitos meses mas que foi sofrido como um divórcio. O amor era paixão e como toda paixão se curou. Fica o livro. Para sempremente amado. Nunca lido mais de uma vez. Este ano, quem sabe. Há expectativas mil. Mas o medo da perda do herói... A perda do herói... Melhor nem pensar nisso. Aguardemos o dia 19. E a praia, rola? Quem sabe... Quem sabe... Tinha um sonho ali dentro que era: conseguir passar uma semana inteira sem perder pelo menos um amor, uma lágrima e uma certeza. Na quarta, morreu de alegria. Na quina da noite da quinta à noite, chorava, já envergonhada de não ter conseguido levar a bandeja com as taças de cristal por muito tempo antes de derrubar tudo. Ao mesmo tempo, se intriga... Que mistério é esse que faz surgir tanto medo na hora de transportar as taças, se estar perto dos cristais é coisa tão maravilhosamente linda de se ver e de se estar e de se ter? Não, não tem nunca. Sempre as quebra. Comprou algumas coisas. Mas é claro que a alegria efêmera se esvaiu. Estava olhando alguém no ônibus e de repente percebeu que aquilo era cansativo e não importava. Saiu com um peso a mais, e um peso a menos. Mas um a mais, sempre tudo assim doendo tanto muito que chega a ferir de verdade, e olhar e ver que é sempre a mesma lengalenga. E a paragrafação escrota? Reclama tanto, e se contorce, mas não muda nunca.

sábado, 28 de setembro de 2013

DE COMO DESPREZO GENTE FELIZ QUE SE CONTENTA E GENTE INFELIZ QUE NÃO SE CONTENTA NUNCA

Se o mundo fosse dividido apenas em pessoas felizes e infelizes, sem gradações, e sem mentiras, e falsos enganos, de que lado você estaria? E como pode ter tanta certeza? O que é felicidade? O que é tristeza? Não seria a certeza da felicidade uma negação suprema da dor? E não estaria você, que sofre, simplesmente acostumado com sua dor, a ponto de se sentir perfeitamente feliz e satisfeito com ela? Acostuma-se. Felicidade e tristeza, afinal, são questões de costume.

sábado, 16 de março de 2013

COMO DIZER...?

Como dizer para aquele seu amigo ou conhecido que, no inglês, o adjetivo vem antes do substantivo? Que você quer de volta aquele livro que emprestou há mais de um ano? Que os acentos não existem por acaso, e devem ser colocados nas palavras dos trabalhos que vocês fizerem juntos? Que o personagem que ele mais gosta vai morrer antes do final da série/livro e, por isso, é melhor não se afeiçoar tanto? Que ouvir sertanejo não o promove a uma categoria de seres humanos legais? Que usar os cortes de cabelo do Neymar não faz dele um grande jogador de futebol-pegador-ricaço? Que o perfume que usa dá náuseas? Que mastigar de boca aberta e fazendo barulho ainda não está na moda? Que batom azul assusta? Que você prefere pizza sem cebola? Que não quer ganhar um ovo de páscoa de Charge, porque não gosta de chocolate com amendoim? Que não se pronuncia "Keiti" Richards? Que as montagens fotográficas que ele faz são toscas? Que ninguém se interessa por seu coração partido semanalmente? Que ninguém quer saber onde ele está nem o que anda comendo? Que ninguém liga para o fato de se sentir feliz porque hoje é sábado? Que é chato - e ilógico -  reclamar de dor de cabeça e continuar no Facebook? Que Johnny Depp não é uma espécie de messias? Que elogiar a fotografia de um filme não faz dele um crítico de cinema? Que ele não sabe usar as palavras "paradigma", "estereótipo", "paradoxo" e "clichê" nos contextos certos? Que dor de corno nas redes sociais é mais repelente que ao vivo? Que ele não tem autoridade para corrigir a gramática de ninguém? Que ele superestima o consumo de Doritos? Que compartilhar fotos de cachorrinhos e bebês desconhecidos não o torna cativante? Que seu gosto musical o está reduzindo a uma ameba? Que ele coloca vírgulas onde não deveria? Que ser poeta de Facebook é mais ridículo que lírico? Que ninguém está dando a mínima para o seu aumento de bíceps? Que exibir glúteos e glândulas mamárias em fotos não atrai pensamentos saudáveis? Que ele não é bom em inventar piadas? Que não vai conseguir passar em Medicina? Que não desenha nem de perto "bem"? Que jamais será um escritor? Que seu francês é sofrível? Que aquela foi uma curtida irônica de fulano? Que ter pintado o cabelo foi um erro? Que gostar de velha MPB ou derivados não o faz mais adulto ou intelectual? Que ter dreads não o promove a nenhuma categoria de almejada idiossincrasia? Que ele não precisa baixar toda a discografia e decorar todos os nomes dos integrantes e seus parentes para se tornar fã de uma banda? Que ninguém jamais curtirá seus vídeos no YouTube gravados com a câmera do Motorola V3 e, se depender disso, jamais será um grande vlogger? Que "A batalha do apocalipse" não é "o melhor livro do mundo"? Que tirar fotos de boca torta é quase tão traumatizante quanto com a língua de fora? Que dá vergonha ao vê-lo citar Caio Fernando Abreu ou Paulo Coelho? Que andar com uma garrafinha de água pra cima e pra baixo é broxante?
Como? Como?
Faça o seguinte: mostre esta postagem a ele; cole no mural, faça o link sutilmente escorregar em alguma rede social, ou abra a janela no notebook e saia de fininho, e deixe o resto por conta do cidadão... E se, ao final, não resultar... Bem, arranje novos amigos.

domingo, 25 de novembro de 2012

FALANDO COM DEUS

Senhor, cansei de tentar parecer inteligente.
Faz de mim logo um pitéu e me poupa desses esforços vãos...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

MULHERES, REPITAM COMIGO:

— Não mendigarei o amor de ninguém. Também não barganharei usando o amor como moeda de troca. Amarei indistintamente. Amarei como me amo. Se não me amarem de volta, azar de quem me perdeu. Ou melhor, não sou coisa para ser possuída e perdida. Então azar mesmo é de quem não soube me valorizar. Todavia, ponho-me superior a tudo isso - sentimentos são preciosos demais para que eu estrague minha própria vida chateada ante a incapacidade ou desleixo emocional de terceiros.
Não vou deixar que me classifiquem, massacrando-me, nem aceitar rótulos alheios. Meu bom-gosto ou falta dele pode até ser julgado de acordo com o que porto ou trajo, mas isso também é relativo, e o meu valor real não é medido pelo tamanho do meu salto, pela cor do meu sapato, pela cor do meu esmalte, pela cor do meu cabelo ou pela cor da minha pele. Não tenho que me sentir inferior por que alguém diz: "Prefiro as branquinhas". Não tenho que me sentir inferior por que alguém diz: "Mulheres negras têm o corpo perfeito, as outras não". O que é o corpo? Matéria que se corrói. Não tenho que me sentir inferior nem mesmo se as minhas feições todas, até as microscópicas nuanças, não correspondem ao padrão de beleza preponderante. Não faço parte d'um gado. Ainda que eu busque minha identidade dentro de uma coletividade osmótica, não sou cópia, não sou réplica, não sou arremedo de ninguém.
Não vou deixar nenhum tolo tacanho me lobotomizar, fazendo-me acreditar que a sortuda sou eu, por ele estar junto comigo. Não vou encarar a vida como uma missão a ser cumprida unicamente para se subir ao altar e afins. Porque, se assim encaro, deixo de viver no momento em que me enrolar por entre as rendas matrimoniais ou amigadas. E fim.
Também não azucrinarei ninguém com minhas próprias exigências. Se quero algo, que venha de mim, e que eu seja a primeira dar. Mas que eu não seja a única. No momento cauteloso das primeiras interações, em que eu perceber que a hipotética outra metade não é a minha exata metade, da mesma maneira doada e rendida, revejo o cenário, pulo fora de cena.
Ademais, não fingirei que sou um poço de atitude, quando tudo o que eu quero é mergulhar-me em letargia, ver filmes românticos, de coque e pantufa, sentada no sofá com meus velhos.
Não vou fingir que tenho a vida mais emocionante do mundo, que fui a todos os lugares, que vi de tudo e provei de tudo, quando na verdade ser pura e simplesmente eu é tudo o que o meu coração almeja.
Não vou me iludir, fantasiar, por exemplo, repetindo o mantra: “Todos os machos da espécie me desejam”, com a convicção ilusória de que isso é felicidade, e de que minha "presença de palco" seduz a todos, e meu espírito aventureiro não me prende a ninguém, deixando, assim, um rastro de lágrimas e cacos aos meus pés.
Tudo o que eu quero, e que vou ser, é ser eu, sem a pretensão arrogante de ser eu e mais um pouco, quando o meu eu já encerra tudo. Terei dois ou três admiradores, dentre os quais papai e/ou mamãe, nenhuma bisonha ambição de sair por aí ferindo os corações de outrem, por mais glamoroso que isso pareça através das lentes cor-de-rosa.
Vou ser uma pessoa centrada, se é o que quero ser; cuidando bem de mim também, e zelando pela vida que carrego, por mais que vozes no entorno digam que o bacana mesmo é relevar, curtir despreocupadamente, desesperadamente, pular de noite em noite, de agito em agito, de trago em trago, de espetáculo em espetáculo, de horror em horror, de vazio em vazio. Banalidade cíclica! E se eu quiser ser quadrada? E se gosto de mim muito mais quando sou quadrada? Serei quadrada e pronto!
Que se danem as expectativas não maturadas. Os lugares que eu "tenho" que ir, as pessoas que eu "tenho" que conhecer, as iguarias que eu "tenho" que provar, os olhos que eu "tenho" que capturar!
Eu não tenho que comer sushi/sashimi só porque os outros ocidentais encasquetaram de "sacralizar" o arroz empapado e o peixe cru. Não tenho que ler os livros que todo mundo lê só pelo medo de, caso não o faça, parecer burra, bitolada ou antiquada e démodé.
Eu não tenho, na verdade, a obrigação de ser nada. E se eu quiser ser um nada, que seja, essa será a minha única obrigação! O meu dever, primeiramente, é comigo. Eu sou, aqui na Terra, em termos triviais e brutos, o meu melhor amigo. Pois eu é que convivo comigo mesma todos os dias da minha vida, convivo de dentro para fora, e vejo o mundo através dos meus próprios olhos. Se eu não buscar ser eu, rapidamente me sufocarei, e me matarei, e então viver dentro de mim será insuportável, porque serei eu e milhões de outros eus intoleráveis, intragáveis, oscilantes, multipolares. Por isso mesmo é que todas as mulheres de mim, já as matei. E a cada novo dia será um novo dia, mas eu permaneço sendo eu, aqui, aprendendo de mim e dos outros, crescendo e moldando-me, no entanto portando a mesma essência do meu eu, que é única, irrepetível, e só minha. Só eu.

“Todas as belezas contêm, assim como todos os fenômenos possíveis, algo de eterno e algo de transitório, de absoluto e de particular. A beleza absoluta e eterna inexiste, ou melhor, é apenas uma abstração empobrecida na superfície geral das diferentes belezas. O elemento particular de cada beleza vem das paixões, e como temos nossas paixões particulares, temos nossa beleza particular.”
Charles Baudelaire



quinta-feira, 10 de maio de 2012

MINHA PINTA

Simplesmente odeio esta pinta. Odeio. Ela sempre me passa a sensação de que não deveria estar aqui, tão folgadamente alinhada em meio a meus poros, na bochecha esquerda.
Querendo ou não, a pessoa que tem uma pinta é diferente das demais. Vive como se não a tivesse, mas tem. A todo momento, o subconsciente do indivíduo detentor da pinta faz com que esse pobre inocente acredite que a tal da pinta não está ali, esquecendo-a satisfatoriamente. No entanto, ela está. E é só cruzar com um espelho, que a verdade outra vez se desnuda: Eis a pinta! Austera, invasora, caótica, assimétrica.
Viver portando uma pinta não é tarefa fácil. Quem as possui, sim, vive, mas nem sempre se conforma ou tranquiliza. Eu me conformo, algumas vezes, quando deixo de achar que a pintinha tem alguma relevância em minha existência - meu fracasso ou meu sucesso... Mas, na maior parte do tempo, ei-la, me incomodando!
Eu tiraria esta pinta. Tiraria mesmo. Queria ter um rosto uniforme. Não gosto que a genética ou o acaso das pintas imponha-me algo que não deveria estar aqui. De fato, todo o resto se comporta, ainda que nem sempre belo: nariz grande tem sua razão de ser, olhos meio tristonhos, segundo minha mãe, também têm sua razão de ser, queixo fino tem sua razão de ser, testa larga tem sua razão de ser, dentes de ratinho têm sua razão de ser... Mas, pinta?! Não!
No entanto, nos momentos em que a dita cuja me consola, seja lá por qual motivo, quando somos só eu e ela... Não sei...
Nesses momentos, chego a pensar que esta pinta faz de mim um ser não puramente diferente, mas também especial. Chego a cogitar hipóteses tão belas para o futuro, em que passarei pela rua, e todos apontarão, deslumbrados: "Olha!... É a garota da pinta!...". E então esta pinta será até maior do que eu. E todos me conhecerão como "a garota da pinta no rosto", "a exótica garota da pinta no rosto", e não mais eu terei uma triste pinta, e sim a pinta é que me terá em seu rosto...
E o devaneio logo passa, e volto a odiá-la. Mas que seria belo, ah!, isso seria...


sexta-feira, 15 de julho de 2011

MORRA, FANTA LARANJA!


A Fanta Laranja é o pior veneno já produzido por uma fábrica de detergentes. Como todos sabem (ou desconfiam), este elixir funéreo de cor laranja berrante foi criado pela própria Coca-Cola durante a Segunda Guerra Mundial, a fim de vender na Alemanha nazista e não ter seu lucro europeu ameaçado por causa de um incidentezinho internacional e algumas pequenas desavenças capitalistas.
Assim, sua origem e ascendência duvidosas só comprovam minha tese: Fanta Laranja é veneno.
Fanta Laranja é veneno e todos os seus adeptos fervorosos deveriam ser fervidos numa panela cheia deste "refrigerante".
O líquido que tem a cor malévola das abóboras de Halloween é tão detestável, que o mero pronunciar de seu nome já causa aftas na boca.
A Fanta Laranja é áspera, ruim e má, e sua acidez transforma a região bucal em ninho de formiga sempre que alguém ingere esta porcaria gaseificada. Sem falar naqueles pelinhos e farelos que ficam flutuando no interior da garrafa... Vamos levar a Fanta Laranja a um campo de concentração e queimá-la!
Beba Fanta Uva. Esta sim.

NEM NEYMAR

Nem Neymar é indestrutível. Quem acompanhou o jogo da seleção brasileira nesta última semana, contra o Equador, na disputa da primeira fase da Copa América, pôde constatar que nem mesmo nosso infante craque, apesar da atuação engolível e, até certo ponto, louvável, é páreo contra vento, holofote e tempestade.
Sim, estou falando de seu topete. Ou melhor, do moicano (o que é aquilo, Senhor?!).
Neymar pode até ser "Reymar", segundo a Veja, mas o seu cabelo não é tão soberano assim. Ao sair do jogo, poucos minutos antes do término do segundo tempo, as madeixas ouriçadas e oxigenadas do mancebo já não estavam tão ouriçadas. Tal vastidão loura, que minutos antes parecia uma crina de zebra albina em riste, ao final de dois tempos mais assemelhava-se a uma vassoura velha espigada.
Palmas para o vento, que conseguiu o indizível, a proeza de despentear Neymar e levar embora um pouquinho de sua pompa intragável. Mas palmas também para o próprio Neymar, que, apesar de eu não ir muito com a cara, talvez jogue bola melhor que eu. Mas isto nós ainda vamos ver.
Quanto será a quantidade de gel necessária para manter a crina tesa até o fim da partida?

O QUE PICASSO DIRIA DO PICASA?



Existe arte hoje? A arte é fabricável? Meu querido amigo Picasso teria dito o quê de sua fase azul, se pudesse simplesmente jogar um Photoshop em cima?
Olho para todo lado e só vejo Miley Cirus e protótipos de Miley Cirus fingindo ser artistas excêntricas e estouvadas, quando na verdade sabem bem o que estão fazendo. Comercialmente falando, é claro. Porque no âmbito artístico, não estão fazendo nada. Só mascando chiclete, usando batom azul e vendendo milhões de porcarias do 21º século.
Se existe arte hoje, ela está eclipsada. Se existe arte hoje, ela é esquiva. É uma arte que não penetra, não atinge as massas, fica só na superfície. Ou camadas invertidas. Quem sabe a boa arte, arte de verdade, começa lá do fundo, mas não chega aqui em cima. Permanece submersa, e só os críticos, os intelectuais sujinhos de all star e os verdadeiros excêntricos é que têm o prazer de vê-la, cheirá-la, senti-la, tocá-la. A verdadeira arte. Que arte é esta? Será que existe? Como ela é, como se faz?
Cansa depender de um cenário musical superlotado, mas no fundo estéril. É cansativo filtrar, ou simplesmente fingir que o que consumimos alimenta a alma. Aquela nossa alma apaixonada, cheia de calor, de otimismo, sedenta por experiências extra-corpóreas.
E olha que estou sendo preguiçosa, ao limitar este post sem resposta e sem comentários ao mundo da música... Ainda existem tantos outros mundos artísticos a ser explorados e mesmo assim parece que tudo já foi explorado demais, ridiculamente explorado.
Será que existe redenção para a música? Será que eu e as minhas gerações, e as novas gerações, vamos poder um dia ter contato com aquele sentimento de antes, que já ficou apagado nas dobras das décadas passadas? Aquele sentimento de criar novidade de verdade, de experimentar o novo, de descobrir um jeito novo de falar e fazer música...
Estou supersaturada de batons azuis e "featuring". Eu quero da música um first kiss de verdade.

MELOSIDADE NA BLOGOSFERA

É impressionante a quantidade de bloguinhos bem-intencionados, mas que pingam mel choco, existente por aí. Estava eu passeando pelos sítios cibernéticos e, em menos de dez minutos, lambuzei meus dedos e olhos em dois blogs que, de tão dramáticos, excessivamente melosos, e românticos de uma maneira criminosa, chegaram a me enjoar e me fizeram odiar a raça humana. E a mim, por fazer parte dela. Somos esses seres frágeis, cheios de rebuscamento e firulas que escondem imperfeições medonhas, e ainda assim insistimos em cantar nossos sentimentalismos frustrados aos sete ventos da internet.
Eu neste ânimo, odiando a raça humana e sua pieguice, e todos os blogueiros melosos que deveriam ser queimados na fogueira, quando de repente me dou conta de que meu próprio blog é um poço de candura bem-intencionada e sentimentalismo estafante.
Oh, amigos, o que estamos fazendo aqui? Essa vida de blogosfera é difícil, e ainda insistimos em ganhar o pão e a clientela falando de coisas que, na verdade, ninguém lê nem nunca lerá.
A poesia morreu, a sensibilidade, o cuidado e atenção para com o próximo. Oh, mortais! Eu me demito.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

"A NOSSA MÚSICA"

É normal todo casal ter sua musiquinha temática. E não digo isso de modo esnobe ou debochado. Apenas comento. Mas falemos sobre os curiosos casos em que os casais escolhem como trilha sonora de seus romances canções lindíssimas e inspiradoras como... "Seu guarda, eu não sou vagabundo, eu não sou deliquente, sou um cara carente!".
Eu tinha uma amiga, na época em que morei na chuvosa Belém, que, durante nossa sétima série, namorou um carinha mais velho, da mesma escola, que era "TUDO" com letras garrafais. Bonito, charmoso, educado... Enfim, era bacana.
Os dois foram passar, com suas famílias, a virada do ano lá na Estação das Docas. Ocuparam suas mesas, curtiram o visual, beijaram, blá-blá.
Depois, ela me deu todo o parecer da noite, contou como foi, se divertiu enumerando os detalhes. Até que, em dado momento, minha amiga disse: "Aí tocou a nossa música...". E eu perguntei: "Que música?". E ela me respondeu: "Aquela da Vanessa da Mata com o Ben Harper".
Ah, Deus. Ela estava falando de Boa Sorte (Good Luck). Eu disfarcei uma caretinha e, mesmo ainda ouvindo seus relatos interessadamente, só o que eu podia pensar era: "ISSO LÁ É MÚSICA PARA SE ESCOLHER?????"
Vejam se vocês me entendem. A música fala sobre despedida, sobre um relacionamento desgastado que finalmente acabou, fala sobre dizer adeus a alguém que compartilhou a vida com você, fala sobre ceder à pressão dos "amigos", dos que estão ao redor, de todas as circunstâncias que sufocam e matam estes simulacros de amor que vivemos hoje. Se o amor já é tão frágil e capenga, como o concebemos, por que sufocar ainda mais o bichicho, escolhendo, para ser o tema de um amor ainda jovem, uma música que fala sobre fim e saparação?! Certamente um começo não muito auspicioso, quem sabe até a fabricação de um presságio.
Bem, os meus amigos da história não tardaram muito a desmanchar a relação, ainda que estivessem envolvidas as famílias e tudo o mais. Mas também, com uma música psiquenta dessas!... Que relacionamento suportaria?! Só mesmo um de verdade.
É por isso que, já eu, sempre fui honesta com meus momentos, meus relacionamentos, e suas respectivas músicas.
Mentira!
Talvez tenha sido eu a que já cometeu os erros mais estúpidos desse tipo, alguns ínfimos, mas ainda assim estúpidos. Destas experiências, extraí muito. É verdade quando dizem que aprendemos com cada estupidez. E, se posso dar um conselho sábio, eu digo: jamais, JAMAIS, amiga/o minha, chegue para o seu companheiro e pergunte, em voz melosa: "Qual é a nossa música, amor?" Não pergunte, porque essas coisas não se perguntam, não se fabricam, entende? Elas simplesmente acontecem... A música do casal aparece quando tem de aparecer, não é uma obrigatoriedade que seja sempre no início da relação. E, se você não deixa rolar, e, ao invés disso, força a barra e pergunta: "Qual é amor, qual é? A nossa música, amor!", vai que ele te responde "Good Luck", tchau e bênção, vá com Deus?! Ou até mesmo canta para você: "Teus lábios são labirintos..." E esquece de completar dizendo que, em todo refrão de bolero, há pelo menos um corno, um adúltero e um alcoólatra!
Já pensou?!
É melhor deixar como está.
Forçar não é legal exatamente porque não é espontâneo.

quinta-feira, 24 de março de 2011

FRANKENSTEINS

O novo Dr. Frankenstein somos nós. Criamos um monstro.
O novo Dr. Frankenstein somos nós. Criamos um monstro.
Não é incrível pensar no poder absurdo que tem a internet? Qualquer coisa que você poste na rede, ainda que esquecido ou apagado por você, jamais se apaga de fato. Um arquivo, um texto, uma informação, uma foto, até mesmo uma frase - aquilo deixa de ser seu, para sempre. Pertence à rede, que não se esquece de nada. Com o tempo, torna-se mais um fragmento oculto, mas ainda assim armazenado, catalogado, vagando pela internet como um espectro fugaz eternamente. Google: o olho que tudo vê.
A internet, sendo tão boa em vários aspectos, não poderia ser mais segura? Hoje, com tanta tecnologia alcançada, trabalhada, deveria garantir, ao menos, segurança sobre aquilo que é meu e só meu, embora compartilhado no cyber espaço. Porque, se me pertence, eu devo ter o monopólio sobre aquilo, inclusive o direito de anular completamente as informações e arquivos postados, se der na telha, ou bater eventuais arrependimentos. Parafraseando um professor de literatura, assim como as obras literárias, o que se produz e publica-se na internet, de muitas formas, também é destinado ao público aberto, é uma “obra aberta, mas não escancarada”. Existem, ou deveriam existir, limites.
Afinal, quem inventou a internet? Quem é o responsável por essa “mente criminosa”, que nunca esquece nada?
Não, se quer saber, nem quero nomes. Até porque, falando com menos ingenuidade, somos todos responsáveis, tanto pelo que publicamos quanto pelo que colhemos. Essa liberdade, descaso com a privacidade, deve ser usado mediante cautela.
Somos culpados, nós mesmos, pelo que compartilhamos com o mundo virtual. Porque a internet é inventada e reinventada todos os dias, por gente como eu, como você, por leigos ou fanáticos, por qualquer um que, acidentalmente ou à custa de muita pesquisa, descubra uma forma nova de fazer essa ferramenta surpreender, ousar.
A rede apavora. Todo este poder, controle... É louco. Ainda que composta por gente, sua potência beira o desumano - (des)humano mesmo, se concebermos o absurdo fato de máquinas e algo invisível que interliga todo mundo e nos mantêm reféns.
A internet, gradualmente, vem causando mais pavor que deslumbramento. Há ainda certa euforia no ar, a cada nova novidade (sim, porque até as novidades ficam velhas muito rapidamente) explode a gritaria e todos se jogam nela, seja promoção, vídeo, aparição, ou o mais novo site interativo de relacionamento – sites como Twitter, que ofertam a aproximação de estrelas hollywoodianas ao pó dos meros mortais anônimos.
Tanta efusão e brilho são apenas a casca, frágil e insossa, que serve para maquiar o verdadeiro torpor - letal e feroz - que desencadeia, em nossas almas, a internet. Perdemos a essência e a atenção às coisas reais em nome de um perfil cibernético. No fim, já nem nós sabemos bem quem somos.
Todo mundo parece ter se rendido a isso. O que fazer? Para onde quer que se olhe, somos presas fáceis daquilo que vamos criando, de uma tecnologia absurda que, apesar de ser fruto de nossa massa encefálica, já superou essa mesma massa há tempos.
Será este o nosso novo e definitivo monstro? Criado a partir de nossa fome de perfeição, com tudo para dar divinamente certo, mas que acaba se mostrando uma aberração nociva.
Num futuro próximo, ao descobrirmos a resposta para tal questionamento, só espero ser contabilizada como um daqueles que nunca se renderam total e perigosamente a esta ferramenta, a qual é fruto da ambiciosa sapiência humana - mas que sabe disfarçar sua "humanidade" muito bem, enquanto nos engole.

domingo, 19 de dezembro de 2010

FRASES CÉLEBRES PARA DESCONTRAIR


Oi, pessoal! Essa antologia de citações venenosas foi extraída do livro "O Melhor do Mau Humor", de Ruy Castro. Espero que gostem e, se gostarem, vale a pena comprar o livro... É uma boa munição de respostas rápidas para as horas críticas.

Animais

"Meu animal favorito: bife."
(Fran Lebowttz)

Beijo
"O homem rouba o primeiro beijo, implora pelo segundo, exige o terceiro, recebe o quarto, aceita o quinto, e suporta os restantes."
(Helen Rowland)

Casamento
"O segundo casamento é o triunfo da esperança sobre a experiência."
(Samuel Johnson)

Crianças

"Só pergunte a uma criança o que ela vai querer para jantar se ela estiver pagando."
(Franz Lebowttz)

Dinheiro

"O dinheiro pode não comprar a saúde, mas eu me contentaria com uma cadeira de rodas cravejada de diamantes."
(Dorothy Parker)

"As únicas pessoas que pensam mais em dinheiro do que os ricos são, naturalmente, os pobres."
(Oscar Wilde)

Egoísmo

"Egoísta, s.m. Um sujeito que pensa mais em si mesmo do que em mim."
(Ambrose Bierce)

Filosofia
"O truque da filosofia é começar por algo tão simples que ninguém ache digno de nota e terminar por algo tão complexo que ninguém entenda."
(Bertrand Russel)

Governo
"É uma pena que todas as pessoas que sabem como governar o país estejam ocupadas dirigindo táxis ou cortando cabelo."
(George Burns)

Homens
"A única profundidade que os homens admiram numa mulher é o seu decote."
(Zsa Zsa Gabor)

"Homens são criaturas com duas pernas e oito mãos."
(Jayne Mansfield)

"Uma vez igualadas aos homens, as mulheres se tornam seus superiores."
(Sócrates)

Ilusão
"O sábado é uma ilusão."
(Nelson Rodrigues)

Jornalismo

"Primeiro, apure os fatos. Depois, pode distorcê-los à vontade."
(Mark Twain)

Jovens
"Jovens de todo o mundo: envelheçam."
(Nelson Rodrigues)

Literatura

"Quando se diz que um escritor está na moda, é porque ele é admirado por menores de trinta anos."
(George Orwell)

"Alguns livros são do tipo que, quando você os larga, não consegue pegar mais."
(Millôr Fernandes)

Moda
"Certas roupas femininas nunca saem de moda. Apenas ficam mais ridículas com o passar dos anos."
(Fred Allen)

Mulheres
"Amo as mulheres, mas não as admiro."
(Charles Chaplin)

Negócios

"Reuniões são indispensáveis quando não se quer decidir nada."
(John Kenneth Galbraith)

Ódio
"Sou livre de qualquer preconceito. Odeio todo mundo, indistintamente."
(W. C. Fields)

Pais
"Papai e mamãe eram duas crianças quando se casaram. Ele tinha dezoito anos, ela dezesseis e eu três."
(Billie Holiday)

Paixão
"Muitos homens que se apaixonam pela covinha de um sorriso cometem o erro de se casar com a garota inteira."
(Stephen Leacock)

"Estou apaixonado pela mesma mulher há 41 anos. Se minha esposa descobrir, vai me matar."
(Henny Youngman)

Rock
"Não sei uma nota de música. Nem preciso."
(Elvis Presley)

"Adoro Beethoven, especialmente os poemas."
(Ringo Starr)

Sexo
"É perda de tempo procurar zonas erógenas no corpo de uma mulher. Ou elas estão em toda parte ou em parte alguma."
(Joseph Heller)

"Nada mais grotesco do que dois americanos se congratulando por ser heterossexuais. Isto só acontece nos Estados Unidos. Nunca vi dois italianos se congratulando por gostar de mulheres. Para eles, isso é normal."
(Gore Vidal)

"O ato sexual é uma mijada."
(Nelson Rodrigues)

Silêncio

"Silêncio - aquela insuportável réplica."
(G. K. Chesterton)

Transporte
"Odeio carros. Os antigos inclusive. Prefiro cavalos. Pô, pelo menos os cavalos são humanos!"
(J. D. Salinger)

"Avião: é mais pesado do que o ar, tem motor à explosão e foi inventado por um brasileiro. Não pode funcionar."
(Vinícius de Moraes)

Últimas palavras

"Hei de fazer do Brasil o líder dos países pobres."
(Luis Inácio Lula da Silva)

Vaidade

"Só conheci três gênios na vida: Pablo Picasso, Alfred North Whitehead e Gertrude Stein."
(Gertrude Stein)

Xenofobia

"Um americano pode viver vinte anos no Brasil e, quando volta para os Estados Unidos, ninguém o chama de brasileiro. Já ao nativo, ao indígena, ao aborígine, é proibido sair da taba."
(Tom Jobim)

Zoo

"O tipo de sujeito que gosta de passar o tempo contemplando um camelo babar, araras matraqueando ou um lagarto comendo moscas, é exatamente o tipo de sujeito cuja debilidade mental deve ser combatida, não estimulada."
(H. L. Mencken)


sábado, 30 de outubro de 2010

OS SEM-LICENÇA

Outro dia, na escola, meu professor falou, dentre outras desmotivacionais besteiras simplórias: [...] "É que os poetas dispõem de uma coisa que nós não temos - licença poética".
Opa! Espera aí. E os outros, como é que ficam? Os que não são escritores, não são compositores, não são poetas - ou poetisas, que seja -, como é que fazem? Como é que eu fico?
Eu preferia que naquele momento você fosse engolido por um peixe, professor.
Como é que eu fico? O que é que eu vou fazer da minha vida se eu, que não sou ninguém, não tiver a minha licencinha, a minha licençona poética? Mas nãããão!
Eu também preciso viver, preciso pensar, preciso escrever livremente. Eu me habituei a isso, campeão. Então não tire isso de mim.
Mas que coisa. Fico até agora me perguntando como alguém pode saber (ele diz) alemão, a língua aglutinadora, e ainda assim vir dizer que o pobre povo, ordinário (no elementar sentido de "simples"), a massa sonhadora e aspirante, não pode desfrutar da licença poética?
E só de graça, sabe o que eu fiz? Me rebelei, é isso mesmo. Estamos de mal até segunda ordem, eu não fiz mesmo o seu trabalho, e espero que você nao leia isso aqui.
Ah, mas que saudades daquele antigo professor que tanto nos motivou! Volta... Eu clamo.
Triste fim para o atual professor de português. Engolido por um peixe. O peixe da cegueira.
Até reconhecer que o meu eu-lírico também pode usufruir de umas doses de anarquismo literário.
Viva a literatura desmordaçada!

segunda-feira, 21 de junho de 2010

SEM COPA

Eu aqui, no jornal, escrevendo sobre nerds. Pensando na vida, pensando no blog, pensando na coluna. Poderia - certamente deveria - estar escrevendo a matéria, mas a postagem gritou primeiro e eu atendi.
Travada.
Queria falar sobre tantas coisas... Não sei se posso. E, apesar de querer, agora, neste momentinho, não quero. Quero só falar por falar mesmo.
Hunf. Faz tempo que ninguém me lê.
Neste contexto de Copa do Mundo, outro dia tava pensando que a vida tem mesmo dessas coisas; a gente se mata, vibra, grita, escalpela o adversário com a força do pensamento... Comete atrocidades... Promete... E dura tão pouco.
Ah, futebol... Quem dera fosse um estado constante de espírito.