pãrãpãpã pãrãrãrã tãrãrã...
Era o jardim molhado, limoso
Calçadas caminhos de pedra velhas esverdeadas úmidas
odoríferas florestas mínimas, deslizantes
E os outros cheiros e sons de Dezembro
O sol molinho, molezinho de uma véspera
E a antecipação... A doce angústia
Um não sei quê de esperar um sabe-se lá quando
Tão doce, tão doce sofrer e existir
- se fosse ali
E os sons, então
Era Roberto Carlos, A Volta
Ou mesmo Detalhes
Ou mesmo As Canções que você fez pra mim
E eu já não mais me sentindo tão fajuta por curtir Roberto Carlos
Era um barato intransponível
Que meus tios do rock não soubessem
Nem os primos
Mas era tão doce, tão doce aquela tarde
Ali o céu escurece sem escurecer
É aquele sol que amarela e então doura e então explode num laranja tão profundo e ao mesmo tempo tão suave... e deságua lentamente num cor-de-rosa meigo e apaixonado
E purpúreo vai escorrendo pelas bordas...
E as bordas encontram as bordas do rio...
Não é rio, é lagoa
Era a lagoa.
E o bacurau - que descobri não, não ser bacurau, mas carão
Mas ainda assim às vezes os nomes em mim se trocam
E o carão, longe, canta
Nunca o vi mas ele estará em mim para sempre
Mesmo que não possa ser visto nem ouvido nos textos que eu escrevi e nos murmúrios que rolarem dos meus olhos ele existiu um dia?
É claro que sim!
Aquele lugar... Aquele lugar terá existido para sempre...
E eu, com bordas douradas um dia... Douradas de velha... Serei? Serei tão pura e tão plena e tormentosa quanto aquele céu?
E agora eu sinto, mesmo não estando ali, que a vida escorre tão melancólica
E MAGNÍFICA
E impiedosa
como aquele céu de douradores em dezembro...
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domingo, 5 de outubro de 2014
sábado, 26 de abril de 2014
NA PRIMEIRA MANHÃ
Na primeira manhã que te perdi
Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
Como uma bumba-meu-boi sem capitão
E gemi como geme o arvoredo
Como a brisa descendo das colinas
Como quem perde o prumo e desatina
Como um boi no meio da multidão
Acordei mais cansado que sozinho
Como um conde falando aos passarinhos
Como uma bumba-meu-boi sem capitão
E gemi como geme o arvoredo
Como a brisa descendo das colinas
Como quem perde o prumo e desatina
Como um boi no meio da multidão
Na segunda manhã que te perdi
Era tarde demais pra ser sozinho
Cruzei ruas, estradas e caminhos
Como um carro correndo em contramão
Pelo canto da boca num sussurro
Fiz um canto demente, absurdo
O lamento noturno dos viúvos
Como um gato gemendo no porão
Era tarde demais pra ser sozinho
Cruzei ruas, estradas e caminhos
Como um carro correndo em contramão
Pelo canto da boca num sussurro
Fiz um canto demente, absurdo
O lamento noturno dos viúvos
Como um gato gemendo no porão
Solidão
alceu valença
quinta-feira, 9 de maio de 2013
POEMA
Eu hoje tive um pesadelo e levantei atento, a tempo
Eu acordei com medo e procurei no escuro alguém com o seu carinho
e lembrei de um tempo
e lembrei de um tempo
Porque o passado me traz uma lembrança do tempo em que eu era criança
E o medo era motivo de choro, desculpa pra um abraço ou um consolo
Hoje eu acordei com medo, mas não chorei, nem reclamei abrigo
Do escuro eu via um infinito sem presente, passado ou futuro
Senti um abraço forte, já não era medo, era uma coisa sua que ficou em mim (que não tem fim)
De repente a gente vê que perdeu ou está perdendo alguma coisa
morna e ingênua que vai ficando no caminho
que é escuro e frio, mas também bonito
porque é iluminado pela beleza do que aconteceu há minutos atrás
Cazuza
Por Ney
Por Ney
quarta-feira, 1 de maio de 2013
OLHA SÓ, MORENO
E eu me pergunto o que é que eu sou...
Vai ver eu não sou mesmo nada.
E eu me pergunto o que é que eu fiz...
Vai ver eu não fiz mesmo nada.
Eu penso tanto em desistir...
Mas afinal, não ganhei nada.
Vai ver eu não sou mesmo nada.
E eu me pergunto o que é que eu fiz...
Vai ver eu não fiz mesmo nada.
Eu penso tanto em desistir...
Mas afinal, não ganhei nada.
Mallu.
sábado, 9 de junho de 2012
NÃO SE DESAMA DANDO UM MERO TCHAU
Porque deixar de amar não é normal...
A sabedoria musical é incrível. Ensinando um mundo com apenas um verso.
Muitas vezes, independentemente de qual canção se trate, você de repente se depara com uma verdadeira pérola da essência e experiência humana...
Penso, na verdade não só eu, afinal, é um fato conhecido por pessoas sábias e conscientes, que o amor não é essa coisa despretensiosa e à-toa que muita gente sente, julgando ser válido, como se se pudesse amar movido por forças estranhas e oscilantes, morríveis a qualquer momento. O amor não é isso, é claro que não. Não assim - descartável. Coisa aleatória e descartável. O amor não. E, de fato, deixar de amar não é normal. Porque se você escolhe amar alguém, a tendência é que seja uma atitude definitiva, não? É um paradoxo pensar num amor que acaba, que se extingue. Estamos falando de amor como tem que ser. Dificilmente alcançado, mas possível. Porque pessoas capazes de entendê-lo existem sim.
Enfim, a infinitude do amor já está contida nele mesmo. É idiotizante supor que o "produto" vem com prazo de validade. Mais triste ainda é comprá-lo vencido. A mercadoria então era falsa.
O ponto é: admirável essa sapiência musical que paira ao redor de nós e na qual poucas vezes reparamos. Como uma espécie de cérebro que maquina a lógica das palavras por trás das rimas, e que existe independente de quem as executa ou como as executa. Parece uma instituição autônoma, que planta suas profundas considerações nas músicas que bem lhe aprouver, falando a nossas almas e mentes de maneira tão deliciosamente misteriosa e bem traduzida!...
A sabedoria musical é incrível. Ensinando um mundo com apenas um verso.
Muitas vezes, independentemente de qual canção se trate, você de repente se depara com uma verdadeira pérola da essência e experiência humana...
Penso, na verdade não só eu, afinal, é um fato conhecido por pessoas sábias e conscientes, que o amor não é essa coisa despretensiosa e à-toa que muita gente sente, julgando ser válido, como se se pudesse amar movido por forças estranhas e oscilantes, morríveis a qualquer momento. O amor não é isso, é claro que não. Não assim - descartável. Coisa aleatória e descartável. O amor não. E, de fato, deixar de amar não é normal. Porque se você escolhe amar alguém, a tendência é que seja uma atitude definitiva, não? É um paradoxo pensar num amor que acaba, que se extingue. Estamos falando de amor como tem que ser. Dificilmente alcançado, mas possível. Porque pessoas capazes de entendê-lo existem sim.
Enfim, a infinitude do amor já está contida nele mesmo. É idiotizante supor que o "produto" vem com prazo de validade. Mais triste ainda é comprá-lo vencido. A mercadoria então era falsa.
O ponto é: admirável essa sapiência musical que paira ao redor de nós e na qual poucas vezes reparamos. Como uma espécie de cérebro que maquina a lógica das palavras por trás das rimas, e que existe independente de quem as executa ou como as executa. Parece uma instituição autônoma, que planta suas profundas considerações nas músicas que bem lhe aprouver, falando a nossas almas e mentes de maneira tão deliciosamente misteriosa e bem traduzida!...
quarta-feira, 13 de julho de 2011
"A NOSSA MÚSICA"
É normal todo casal ter sua musiquinha temática. E não digo isso de modo esnobe ou debochado. Apenas comento. Mas falemos sobre os curiosos casos em que os casais escolhem como trilha sonora de seus romances canções lindíssimas e inspiradoras como... "Seu guarda, eu não sou vagabundo, eu não sou deliquente, sou um cara carente!".
Eu tinha uma amiga, na época em que morei na chuvosa Belém, que, durante nossa sétima série, namorou um carinha mais velho, da mesma escola, que era "TUDO" com letras garrafais. Bonito, charmoso, educado... Enfim, era bacana.
Os dois foram passar, com suas famílias, a virada do ano lá na Estação das Docas. Ocuparam suas mesas, curtiram o visual, beijaram, blá-blá.
Depois, ela me deu todo o parecer da noite, contou como foi, se divertiu enumerando os detalhes. Até que, em dado momento, minha amiga disse: "Aí tocou a nossa música...". E eu perguntei: "Que música?". E ela me respondeu: "Aquela da Vanessa da Mata com o Ben Harper".
Ah, Deus. Ela estava falando de Boa Sorte (Good Luck). Eu disfarcei uma caretinha e, mesmo ainda ouvindo seus relatos interessadamente, só o que eu podia pensar era: "ISSO LÁ É MÚSICA PARA SE ESCOLHER?????"
Vejam se vocês me entendem. A música fala sobre despedida, sobre um relacionamento desgastado que finalmente acabou, fala sobre dizer adeus a alguém que compartilhou a vida com você, fala sobre ceder à pressão dos "amigos", dos que estão ao redor, de todas as circunstâncias que sufocam e matam estes simulacros de amor que vivemos hoje. Se o amor já é tão frágil e capenga, como o concebemos, por que sufocar ainda mais o bichicho, escolhendo, para ser o tema de um amor ainda jovem, uma música que fala sobre fim e saparação?! Certamente um começo não muito auspicioso, quem sabe até a fabricação de um presságio.
Bem, os meus amigos da história não tardaram muito a desmanchar a relação, ainda que estivessem envolvidas as famílias e tudo o mais. Mas também, com uma música psiquenta dessas!... Que relacionamento suportaria?! Só mesmo um de verdade.
É por isso que, já eu, sempre fui honesta com meus momentos, meus relacionamentos, e suas respectivas músicas.
Mentira!
Talvez tenha sido eu a que já cometeu os erros mais estúpidos desse tipo, alguns ínfimos, mas ainda assim estúpidos. Destas experiências, extraí muito. É verdade quando dizem que aprendemos com cada estupidez. E, se posso dar um conselho sábio, eu digo: jamais, JAMAIS, amiga/o minha, chegue para o seu companheiro e pergunte, em voz melosa: "Qual é a nossa música, amor?" Não pergunte, porque essas coisas não se perguntam, não se fabricam, entende? Elas simplesmente acontecem... A música do casal aparece quando tem de aparecer, não é uma obrigatoriedade que seja sempre no início da relação. E, se você não deixa rolar, e, ao invés disso, força a barra e pergunta: "Qual é amor, qual é? A nossa música, amor!", vai que ele te responde "Good Luck", tchau e bênção, vá com Deus?! Ou até mesmo canta para você: "Teus lábios são labirintos..." E esquece de completar dizendo que, em todo refrão de bolero, há pelo menos um corno, um adúltero e um alcoólatra!
Já pensou?!
É melhor deixar como está.
Forçar não é legal exatamente porque não é espontâneo.
Eu tinha uma amiga, na época em que morei na chuvosa Belém, que, durante nossa sétima série, namorou um carinha mais velho, da mesma escola, que era "TUDO" com letras garrafais. Bonito, charmoso, educado... Enfim, era bacana.
Os dois foram passar, com suas famílias, a virada do ano lá na Estação das Docas. Ocuparam suas mesas, curtiram o visual, beijaram, blá-blá.
Depois, ela me deu todo o parecer da noite, contou como foi, se divertiu enumerando os detalhes. Até que, em dado momento, minha amiga disse: "Aí tocou a nossa música...". E eu perguntei: "Que música?". E ela me respondeu: "Aquela da Vanessa da Mata com o Ben Harper".
Ah, Deus. Ela estava falando de Boa Sorte (Good Luck). Eu disfarcei uma caretinha e, mesmo ainda ouvindo seus relatos interessadamente, só o que eu podia pensar era: "ISSO LÁ É MÚSICA PARA SE ESCOLHER?????"
Vejam se vocês me entendem. A música fala sobre despedida, sobre um relacionamento desgastado que finalmente acabou, fala sobre dizer adeus a alguém que compartilhou a vida com você, fala sobre ceder à pressão dos "amigos", dos que estão ao redor, de todas as circunstâncias que sufocam e matam estes simulacros de amor que vivemos hoje. Se o amor já é tão frágil e capenga, como o concebemos, por que sufocar ainda mais o bichicho, escolhendo, para ser o tema de um amor ainda jovem, uma música que fala sobre fim e saparação?! Certamente um começo não muito auspicioso, quem sabe até a fabricação de um presságio.
Bem, os meus amigos da história não tardaram muito a desmanchar a relação, ainda que estivessem envolvidas as famílias e tudo o mais. Mas também, com uma música psiquenta dessas!... Que relacionamento suportaria?! Só mesmo um de verdade.
É por isso que, já eu, sempre fui honesta com meus momentos, meus relacionamentos, e suas respectivas músicas.
Mentira!
Talvez tenha sido eu a que já cometeu os erros mais estúpidos desse tipo, alguns ínfimos, mas ainda assim estúpidos. Destas experiências, extraí muito. É verdade quando dizem que aprendemos com cada estupidez. E, se posso dar um conselho sábio, eu digo: jamais, JAMAIS, amiga/o minha, chegue para o seu companheiro e pergunte, em voz melosa: "Qual é a nossa música, amor?" Não pergunte, porque essas coisas não se perguntam, não se fabricam, entende? Elas simplesmente acontecem... A música do casal aparece quando tem de aparecer, não é uma obrigatoriedade que seja sempre no início da relação. E, se você não deixa rolar, e, ao invés disso, força a barra e pergunta: "Qual é amor, qual é? A nossa música, amor!", vai que ele te responde "Good Luck", tchau e bênção, vá com Deus?! Ou até mesmo canta para você: "Teus lábios são labirintos..." E esquece de completar dizendo que, em todo refrão de bolero, há pelo menos um corno, um adúltero e um alcoólatra!
Já pensou?!
É melhor deixar como está.
Forçar não é legal exatamente porque não é espontâneo.
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MEUS MOMENTOS DE NOSTALGIA
Como todo bom mortal, dotado de sensibilidade e certa melancolia charmosa, sei que os momentos mais graves de nostalgia surgem quando a gente não espera, ou espera pouco, mas ainda assim nossa alma se encontra em terreno propício para turbilhões de emoções... É muito frequente em mim ter momentos de nostalgia com músicas, cheiros, filmes, comidas, fotografias, livros (oh, Deus, livros com certeza!)... Basta que qualquer integrante desta lista me atinja para que, quase automaticamente, eu seja transportada a algum recanto confortável do passado, ou nem tão confortável, mas ainda assim gostoso de rememorar, porque todos nós temos nossos lapsos masoquistas.
Mas o fato é que nenhuma música me sugere tanto quanto... "I'm N Luv (Wit a Stripper)", do T-Pain, ou "Lonely", versão Akon. Dá para acreditar num negócio deste? Basicamente, todo o CD (de hip hop!) LUV! 2 me faz lembrar uma certa etapa da vida que me deixou uma saudadezinha... E eu nem gosto de hip hop!
O que quero dizer é que não escolhemos o que vai marcar um momento. Você pode até amassar uma flor entre as páginas de um livro de capa dura, mas outras coisas são muito mais complicadas e menos deliberadas... Ainda que esta nossa frágil humanidade, frágil, frágil, frágil, consista quase que totalmente no poder de decisão, ainda assim certos "plugs" de nostalgia nos são alheios... Um dia, eles simplesmente vêm, algo acontece, e você lembra. E sente uma saudadezinha...
Às vezes sente saudade até do que não deveria. De momentos estranhos ou de fases da vida que foram uma bosta, mas lembra, fazer o quê? E aí você lamenta porque tanto já passou...
E mesmo assim ainda há tanto, mas tanto!...
Acho que, no fim, relembrar e se arrepiar de nostalgia é como a antecipação daquela certeza de que em breve mais lembranças serão construídas e mais momentos de nostalgia e, assim, de lembranças, vamos vivendo. Mas que coisa estranha. Não sei. Viver de lembranças... Não seria mais fácil simplesmente viver?
Fácil mesmo é fechar os olhos e lembrar...
Mas o fato é que nenhuma música me sugere tanto quanto... "I'm N Luv (Wit a Stripper)", do T-Pain, ou "Lonely", versão Akon. Dá para acreditar num negócio deste? Basicamente, todo o CD (de hip hop!) LUV! 2 me faz lembrar uma certa etapa da vida que me deixou uma saudadezinha... E eu nem gosto de hip hop!
O que quero dizer é que não escolhemos o que vai marcar um momento. Você pode até amassar uma flor entre as páginas de um livro de capa dura, mas outras coisas são muito mais complicadas e menos deliberadas... Ainda que esta nossa frágil humanidade, frágil, frágil, frágil, consista quase que totalmente no poder de decisão, ainda assim certos "plugs" de nostalgia nos são alheios... Um dia, eles simplesmente vêm, algo acontece, e você lembra. E sente uma saudadezinha...
Às vezes sente saudade até do que não deveria. De momentos estranhos ou de fases da vida que foram uma bosta, mas lembra, fazer o quê? E aí você lamenta porque tanto já passou...
E mesmo assim ainda há tanto, mas tanto!...
Acho que, no fim, relembrar e se arrepiar de nostalgia é como a antecipação daquela certeza de que em breve mais lembranças serão construídas e mais momentos de nostalgia e, assim, de lembranças, vamos vivendo. Mas que coisa estranha. Não sei. Viver de lembranças... Não seria mais fácil simplesmente viver?
Fácil mesmo é fechar os olhos e lembrar...
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