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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

TUDO SUSPENSO

Na aula de Educação e Cinema, sem conseguir me concentrar. Vontade de chorar estranha, porém a conheço bem. Quero estar na minha cabeça e ao mesmo tempo fugir dela. Essa agonia de paixonite frustrada oprime. Preciso escrever para dar sentido a tudo isso... Ou na verdade esvaziar o sentido de tudo. Se não significar mais nada, estarei bem.
Não tenho fome. Não tenho vontade de lutar pelos trabalhos atrasados da faculdade. O semestre está quase no fim, mas há ainda um tanto a fazer. Não quero... Não me sinto no clima. Não desejo sair, não quero partir. O que quero não posso. Quero ficar e ter e ver e sentir e provar. Que estou certa em pensar que estou errada, mas estando errada me realizaria tanto...
Não posso pensar assim!
Confusa, é o que estou. Não, na verdade, muito convicta (de que o que eu quero não pode ser). Mas continuo querendo... Minha mente segue sem descanso em desvarios persistentes.
Que mais? Passam agora ali no quadro um vídeo em espanhol. Ninguém entende nada. Algo sobre edição de áudio. Suspiro.
Totalmente compreensível, assim, que eu me volte para mim mesma, desatenta ao mundo, perdida em palavras, perdida nos meus arremedos arruinados de sentimentações...
Minha mente fervilha. Socorro! Quero fugir de mim em mim. Poderei? É irrefreável vontade. Quero me entocar aqui dentro, mas, ao mesmo tempo, ao mesmo tempo em que a prisão mental me conforta, com suas ilusões tão doces e seus eflúvios langorosos, lúbricos, sei que me fará muito mal permanecer nela. Beiro o caos. Gosto dele. Contudo há de me tragar. Tremo.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

APRENDI UMA PALAVRA NOVA

O mal desses (já velhos) novos tempos é que tudo dá gastura na gente.
"Gaxxxxtuuura"... Assim mesmo, bem prolongada.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

A minha mente é como um mundo muito, muito, muito grande, mas cíclico, que me cansa.
Gira essas voltas, sempre as mesmas voltas, à volta de mim.
E eu não sou lá tão grande para que uma rotação seja maior que a frequência delas todas, sempre iguais.
Eu tenho uma mente vasta, mas plana. Um planeta raso aprisionado aqui dentro. Voltando sempre ao mesmo enfado.

AS COISAS QUE EU DEVERIA ESTAR FAZENDO

Eu realmente deveria atualizar mais meu blog, e é o que estou fazendo agora, mas só porque, na verdade, eu deveria estar estudando, mas como estudar é a última coisa que eu faço sempre, a atualização do blog subiu na lista de prioridades e deixou de ser a coisa número um na lista de coisas não feitas que eu deveria estar fazendo. Mas não. Calma. Está confuso. A questão é: eu deveria estar fazendo uma porção de coisas, e como atualizar o blog deixou de ser uma delas, é ela que estou fazendo, porque normalmente deixo para fazer as coisas que já não deveria. Hunf.
Eu deveria estar melhorando a minha postura e deveria estar domando o meu psicológico. Eu deveria estar me autoanalisando e vendo o que precisa ser jogado fora. Eu deveria ter menos autocomiseração e chorar menos e agir mais. Eu deveria parar de ser tão íntima em domínios tão públicos. Eu deveria parar de fantasiar e ter mais foco. Eu deveria ter uma porção de amigos e saber cuidar bem deles, para não perder assim como já perdi uma tonelada de tantos outros. Eu deveria.
Eu deveria ter mais amor-próprio e melhorar a autoestima, eu deveria, porque conviver com pessoas inseguras é um troço muito chato. Eu deveria ser mais atenciosa com quem gosta de mim e me tolera, e deveria ser menos tolerante com quem me desaponta, se desponta de mim e me enerva. Eu deveria ser mais afável e menos bipolar - o problema é que eu não sei ser nenhum dos dois, mas deveria.
Eu deveria desaprender a alimentar paixões neoplatônicas, eu deveria. Eu deveria desistir logo dos sonhos literários, se ficar provado de uma vez por todas que não tenho talento. Eu deveria comer menos, beber menos refrigerante, beber mais água, encolher a barriga. Eu deveria condicionar meu próprio cérebro a não ter mais tantos pensamentos fixos - me livrar desses pensamentos fixos deveria ser minha fixação primordial. Eu deveria.
Eu deveria ouvir mais minha própria voz interna, porque ela sempre sabe quando eu tô errada. Eu deveria. Eu deveria ser menos dependente do alheio, eu deveria. Eu deveria reaprender a me alegrar com a minha melancolia, e reaprender a não mais ligar se estou só - o fato é que estamos todos muito sós e abandonados. Eu deveria. Não mais chorar por nada disso. Já disse.
Eu deveria não rir tanto do que os outros dizem, mas é que de tudo acho graça. Eu deveria não. Eu deveria lembrar mais do que já consegui, pra gostar mais de mim, mas essas conquistas não significam nada. Eu deveria aprender a ser mais crítica. Aprimorar meus argumentos. Eu deveria sorrir mais e rir menos. Eu deveria.
Eu deveria encontrar um modo de ficar mais tempo em paz. Eu deveria terminar as aulas de violão e sair aprendendo alguma coisa. Eu deveria ter trazido o violão quando pude. Ou não me importar sobremaneira com isso. Eu deveria não migalhar. Eu deveria ter dito, naquele dia, no fim da aula: "Não quero". Mas como eu poderia ter previsto? E daquela outra vez, ter dito não também. Eu deveria ter voltado todo o caminho e ter dito.
Eu deveria estar estudando, porque amanhã tem prova. Eu deveria. Mas faço?

quinta-feira, 21 de março de 2013

TENHO DUAS COISAS A DIZER

1ª - Preciso urgentemente de amigos que me levem para passear.

2ª - Estou apaixonada pelo presidente do México.

domingo, 25 de novembro de 2012

FALANDO COM DEUS

Senhor, cansei de tentar parecer inteligente.
Faz de mim logo um pitéu e me poupa desses esforços vãos...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

O ADEUS

De algum modo, eu sabia, pressentia que este momento chegaria.
Momento em que deixo para trás velhos hábitos. Momento em que descubro, bastante atordoada, mas ciente, em meio às esquinas da livraria, que os livros que sempre li e que sempre me emocionaram e me distraíram e me acalentaram já não me apetecem mais.
Momento em que chego à borda das lombadas, e capas cor-de-rosa e azul-celeste não me sugerem mais nada, não me seduzem. Momento em que passo pela estante da distração, do escapismo, da massificação, do infanto-juvenil, do chick-lit, do trivial, do bobo, e nada daquilo mais me chama.
2h frenéticas, à caça, e nada. Nem um arroubozinho sequer.
O que fazer?... Não sei.
O adeus. O momento em que percebo que, de certa forma, amadureci, pois o que antes para mim era normal, muitas vezes sagrado e inquestionável, hoje parece verde e infantil. Maturei, sim, talvez. Mas não o bastante para encarar os clássicos... Os quais ainda me cansam antes mesmo que eu comece a lê-los!
Parece que ainda não sou adulta, mas também não mais criança, nem adolescente - eis o meu vácuo literário... Estou vivendo-o. Na espera de que algum arroubo venha me tirar da letargia. Porque já não há tesão por Sheldon, Nora Roberts e Danielle Steel, contudo, ainda não estou preparada para Wilde, Byron, Mansfield, enfim, toda a corja britânica, e igualmente despreparada para Eco, García Márquez e Italo Calvino. Tanta pretensa intelectualidade aglomerada ao redor desses nomes me enfada, me enerva...
E eu fico assim mesmo, sem nada ler. Não conseguindo, assim, ler nada além de mim mesma.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

TIRANIA DA PRESSA

Texto para a coluna Antenados, do jornal Tribuna Amapaense, em 4 de fevereiro de 2012.

É incrível como, nos dias de hoje, vivemos com pressa. E quando digo “hoje”, tenho consciência de que essa corrida maluca não se iniciou há algumas semanas ou anos, mas há décadas, talvez no momento em que começaram a modernizar os computadores e massificar seu uso, lá pelos anos 70, ou então com a internet, em 80.
Entretanto, apesar de ser possível traçar alguns pontos específicos para o surgimento – ou agravamento – da fome de velocidade ao longo da história, é certo que a pressa, assim como o esmero e a paciência, sempre existiu. O homem (sabe-se lá desde que momento remoto) convive com a pressa como quem convive com a fome e a sede. Temos pressa em evoluir, conquistar, ganhar. Temos ambição pelo progresso e, consequentemente, com essa pressa de vencer, nós somos impulsionados a inventar, inovar, ajustar as circunstâncias às nossas necessidades e caprichos.
Contudo, a diferença entre a pressa de antes e a pressa de agora é que, no passado, os meios que usávamos para alcançar certos fins consistiam em uma preparação longa, cuidadosa, atenciosa, apurada, esmerada. Por exemplo, quando Alexander Graham Bell comprou de Antonio Meucci o arquétipo de um estranho invento chamado “telefone”, Bell certamente tinha pressa em aprimorar tal engenhoca. Mas essa pressa não fez com que o cientista atropelasse a si mesmo. Pelo contrário, a pressa de Graham Bell e de muitos outros personagens da história, era caracterizada pela paciência e minúcia com que se dedicavam às pesquisas.
Hoje, o que vemos é a tecnologia da pressa aliada a um estilo de vida nada saudável e nada feliz, ao contrário do que sugere a superfície. A pressa de hoje nos impulsiona não ao progresso (afinal, tudo parece já ter sido descoberto e inventado), mas sim a uma rotina frenética, estressante. E nosso principal objetivo nessa rotina é fazer o máximo de coisas (im)possíveis num curto espaço de tempo, entupindo assim os dias de uma enormidade de tarefas e afazeres que nos prometem um ciclo de vida escravista pelos próximos trinta, quarenta anos.
Temos pressa para tudo. Antes mesmo de fabricarmos um pensamento razoável na cabeça, antes até mesmo de abrirmos os olhos, o que vem nos brindar logo de manhã é a pressa, a pressa e suas demandas. E, se tempo é dinheiro, todo mundo também tem pressa em multiplicar tal tempo, tornando-o assim uma máquina de bilionários.
Leda ilusão...
O tempo, a pressa, o dinheiro, tudo isso é mais importante do que acordar de manhã e ter consciência de si mesmo? De onde se está e das boas possibilidades que se tem? E não me venha falar em derretimento das calotas polares, crise mundial, superaquecimento da Terra... Eu não tenho pressa em fatalizar nada! Eu quero é perceber que estou viva, e não ser engolfada pela falta de tempo. Falta de tempo até para sorrir, para gargalhar, para lacrimar de alegria.
Com ganas de otimizar nosso tempo, tudo tornou-se virtual. Mas, sinceramente, isso também é um saco! Compras, contas, interação social... Tudo pela internet?! Veja essa nova geração que emerge (ou será que já emergiu, tamanha a sua pressa?). Será, certamente, uma geração mais High-Tech e informacional que a anterior. No entanto, eu me pergunto: Será mais viva, será mais “Carpe Diem”, e todo aquele papo bucólico e bacana de “aproveitar o dia”?
Não!
A partir de agora, as novas gerações ascendem com uma pressa nociva entranhada em todas as áreas da vida. Querem amadurecer na marra e, em nome desse afã, pintam a casca de rosa e amarelo, quando o interior ainda está verde. O pior é que as velhas gerações também se deixam contaminar por tal febre e aderem-na, querendo transformar a vida numa maratona sem linha de chegada.
Acho que a única coisa boa na pressa é poder preparar um Miojo em menos de três minutos. Só que até mesmo esse curioso e ágil ritual gastronômico começa a desgastar seu charme. Porque, a cada vez que um pacotinho de macarrão instantâneo é aberto, e uma porção de água é colocada sobre a boca do fogão (o mesmo é válido para micro-ondas), mais e mais mentes se perguntam, aflitas: “Não dá pra ferver mais rápido?!”.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

O QUE PICASSO DIRIA DO PICASA?



Existe arte hoje? A arte é fabricável? Meu querido amigo Picasso teria dito o quê de sua fase azul, se pudesse simplesmente jogar um Photoshop em cima?
Olho para todo lado e só vejo Miley Cirus e protótipos de Miley Cirus fingindo ser artistas excêntricas e estouvadas, quando na verdade sabem bem o que estão fazendo. Comercialmente falando, é claro. Porque no âmbito artístico, não estão fazendo nada. Só mascando chiclete, usando batom azul e vendendo milhões de porcarias do 21º século.
Se existe arte hoje, ela está eclipsada. Se existe arte hoje, ela é esquiva. É uma arte que não penetra, não atinge as massas, fica só na superfície. Ou camadas invertidas. Quem sabe a boa arte, arte de verdade, começa lá do fundo, mas não chega aqui em cima. Permanece submersa, e só os críticos, os intelectuais sujinhos de all star e os verdadeiros excêntricos é que têm o prazer de vê-la, cheirá-la, senti-la, tocá-la. A verdadeira arte. Que arte é esta? Será que existe? Como ela é, como se faz?
Cansa depender de um cenário musical superlotado, mas no fundo estéril. É cansativo filtrar, ou simplesmente fingir que o que consumimos alimenta a alma. Aquela nossa alma apaixonada, cheia de calor, de otimismo, sedenta por experiências extra-corpóreas.
E olha que estou sendo preguiçosa, ao limitar este post sem resposta e sem comentários ao mundo da música... Ainda existem tantos outros mundos artísticos a ser explorados e mesmo assim parece que tudo já foi explorado demais, ridiculamente explorado.
Será que existe redenção para a música? Será que eu e as minhas gerações, e as novas gerações, vamos poder um dia ter contato com aquele sentimento de antes, que já ficou apagado nas dobras das décadas passadas? Aquele sentimento de criar novidade de verdade, de experimentar o novo, de descobrir um jeito novo de falar e fazer música...
Estou supersaturada de batons azuis e "featuring". Eu quero da música um first kiss de verdade.

MELOSIDADE NA BLOGOSFERA

É impressionante a quantidade de bloguinhos bem-intencionados, mas que pingam mel choco, existente por aí. Estava eu passeando pelos sítios cibernéticos e, em menos de dez minutos, lambuzei meus dedos e olhos em dois blogs que, de tão dramáticos, excessivamente melosos, e românticos de uma maneira criminosa, chegaram a me enjoar e me fizeram odiar a raça humana. E a mim, por fazer parte dela. Somos esses seres frágeis, cheios de rebuscamento e firulas que escondem imperfeições medonhas, e ainda assim insistimos em cantar nossos sentimentalismos frustrados aos sete ventos da internet.
Eu neste ânimo, odiando a raça humana e sua pieguice, e todos os blogueiros melosos que deveriam ser queimados na fogueira, quando de repente me dou conta de que meu próprio blog é um poço de candura bem-intencionada e sentimentalismo estafante.
Oh, amigos, o que estamos fazendo aqui? Essa vida de blogosfera é difícil, e ainda insistimos em ganhar o pão e a clientela falando de coisas que, na verdade, ninguém lê nem nunca lerá.
A poesia morreu, a sensibilidade, o cuidado e atenção para com o próximo. Oh, mortais! Eu me demito.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

DROGA

Seguindo a mesma linha de raciocínio do meu amigo Pedro Bandeira... Essa droga de vida, essa droga de escola, essa droga de trabalho, essa droga de comida, essa droga de computador, essa droga de férias... Epa! Peraí. Droga de férias?! Quem pode ter dito uma coisa dessas?
A mania de reclamar às vezes nos pega de jeito. E estamos também tão apegados a ela, que esquecemos de desfrutar o momento presente, esse tal agora; o qual, se você olhar bem fundo, ou nem tanto, vai descobrir que é simplesmente maravilhoso... Então, para começar, por que amaldiçoar as férias? Esse excesso de negatividade e ranhetice fica para uma outra hora. Por enquanto, desfruta. Toma o que é teu por direito, esse mês ensolarado e chuvoso, e se vinga de uma vez do capitalismo. Vilão tão complexo que nos obriga a estudar durante a maior parte das nossas vidas. Esse. Esse. Esse. Que se repitam as palavras, deixa assim!
Ora, não reclame, quem sabe viva um pouco. Viva um pouco mais. Não quero mais alimentar essa mania de parafrasear e emprestar dos grandes autores, também não intento mais um "Filtro Solar" por aqui. Mas sobre chicletes e equações de álgebra, bem, curta o seu chiclete, e vá mascando até quando der. Acabou o açúcar, acabou o tempo da prova, cuspa, saia. Mas, gente, vamos aproveitar. Reclamem só quando estritamente necessário.
E deixem o lado rabugento comigo.

domingo, 31 de outubro de 2010

80's

O muro de Berlim caiu em 6 de setembro de 89. Ainda em 80, surgiram os CDs, a popularização dos compuradores, videocassetes e walkmans, a descoberta da AIDS, a morte de Tancredo Neves (em 85), deu-se a consagração do neoliberalismo - víbora de dois gumes -, aquele célebre atentado ao falecido papa João Paulo II, e praticamente as melhores bandas que ainda hoje ouvimos surgiram nessa década. Dire Straits, A-ha, Supertramp... Inaugurou-se a MTV, a música eletrônica se firmou, criaram o HIP HOP. O Heavy Metal surge como o poderoso do rock, o rádio e a TV massificam a cultura.
Às vezes tenho tanta saudade dessa época, e não entendo o por quê. Eu nem estava viva. Eu nem era ainda um projeto. E não sei porque toda essa nostalgia desmedida. Foi um período difícil para o Brasil, por que sentir falta? Não sei. Também não entendo. Mas a verdade é que os anos 80 têm para mim um cheiro de juventude, de cultura, liberdade, hormônios, beleza, desmedidos. Eu queria ter vivido aquela juventude, aquela adolescência. Mas não sei se então eu seria eu mesma. Sei lá. Será que estaria me drogando em algum beco obscura de NY? Deus me livrasse! Ou será que eu seria um protótipo de mauricinho(a)? Ai. Ah... Quem vai saber? A verdade é que os anos oitenta permanecerão ali, lá, já longe, cada vez mais longe, estagnando-se no tempo. Foi o divisor de águas... Estávamos no ápice, quem sabe, e então veio a ruína.
Gosto dos anos 80. Tenho sérias saudades.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

DESABAFO REVOLUCIONÁRIO


A preguiça nada mais é do que um bicho engraçadinho e lento-rastejante, que sobe em árvores e tem uns olhinhos marejados. É um mamífero que, assim como os ursos – que hibernam durante todo o inverno –, nos ensina uma verdadeira mensagem de vida: por que perder tempo com meias palavras, se você pode simplesmente dormir e poupar energia para momentos críticos, quando o clima o impede de caçar? Ou ainda, seguindo o exemplo deste animal tão sábio que é a nossa querida Bradypus, por que não se arrastar esplendorosamente pelo chão de húmus da floresta, curtindo o clima tropical e o carregado arzinho amazônico?
De verdade, quero entender por que o senso comum condena todas essas coisas. Mas se a preguiça é algo tão lindo, minha gente! Veja ainda os políticos, por exemplo. Eles fazem da inércia o seu padrão de vida... E os gregos? Do ócio, a flor primária do saber, a filosofia!
Eu simplesmente não entendo. Mas deixo esta questão no ar. Àqueles que puderem me responder, mandem um e-mail, mandem cartas. Quero entender porque a preguiça é tão mal vista, tão julgada, tão arrasada por todos. Ora, quem nunca se espreguiçou, que atire a primeira pedra! Todo mundo tem ao menos uma “ex-preguiça” para contar. Admita. Esse corpo-mole não mente.
E só para situar, essa eu compartilho com vocês: o que eu ouvi de gente reclamando durante as eleições... Não foi brincadeira não. Gente que faria de tudo para escapar do segundo turno. "Sair de casa para votar de novo? Mas que chato!". E sabem o que mais? Está certo. Essa democracia não serve para nada mesmo... A solução é nos arrumarmos, daqui para frente, com o que tiver. Vamos proclamar a preguiça nossa única representante federal, municipal, estadual, orbital... E assim a gente escapa de mais um pleito de fastio.
É claro, a ideia ainda precisa ser amadurecida. Vamos construir uma teoria de peso, e, assim, aguardo sugestões.
Mas não contem à vovó esta minha confissão. Ela ainda espera que eu vá arrumar a bagunça instalada há meses debaixo da minha cama... Mas quem sabe eu ainda tomo coragem e respondo na cara dela: "Ah, vó, no dia que arrumarem o Brasil, a gente conversa!".

segunda-feira, 21 de junho de 2010

SEM COPA

Eu aqui, no jornal, escrevendo sobre nerds. Pensando na vida, pensando no blog, pensando na coluna. Poderia - certamente deveria - estar escrevendo a matéria, mas a postagem gritou primeiro e eu atendi.
Travada.
Queria falar sobre tantas coisas... Não sei se posso. E, apesar de querer, agora, neste momentinho, não quero. Quero só falar por falar mesmo.
Hunf. Faz tempo que ninguém me lê.
Neste contexto de Copa do Mundo, outro dia tava pensando que a vida tem mesmo dessas coisas; a gente se mata, vibra, grita, escalpela o adversário com a força do pensamento... Comete atrocidades... Promete... E dura tão pouco.
Ah, futebol... Quem dera fosse um estado constante de espírito.